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Vacina contra o óbvio

Estive pensando sobre o Brasileirão, seu formato, suas teorias e suas alternativas pra evitar aberrações no final. Já cansei de dizer o que penso sobre pontos corridos, nem vou repetir. Aliás, a história recente tem atestado tudo que eu digo.

A questão é que em 2011, sabendo que aqui NÃO DÁ pra ter pontos corridos, os caras resolveram fazer algo ainda mais imbecil. Pegaram os jogos mais esperados do ano e jogaram pro fim. Assim, como sabemos, 70% deles não valerão NADA.

Porque se o Cruzeiro e Galo não estiverem na briga, o clássico mais esperado de Minas vira amistoso. Porque se acomodados em zona intermediaria ou já na Libertadores, Flu x Bota jogam pras moscas.

Aliás, se Flu x Bota valer vaga na Libertadores e Fla x Vasco valer título, por exemplo… alguém vai decidir Brasileirão em São Januário? Ou será em Volta Redonda?

Santos, indo pro mundial, “andando” no Brasileiro, vai fazer um bom amistoso sem por o pé em dividida contra o SPFC, candidato ao título, na última rodada?

Gre-nal, hoje, ao final de um turno, onde a distancia de pontos é bem menor do que no fim, já não valeria NADA.

Pra que tudo isso? Pra tentar corrigir um traço cultural do nosso futebol que é a rivalidade acima de tudo. Pra tentar copiar campeonato de gringo que tem 3 times grandes no máximo por país enquanto nós temos 12, sendo que até entre os pequenos, Figueirense x Avaí, é possível ter conflito de interesses.

A hipocrisia venceu a realidade. É mais bonito dizer por aí que “é absurdo entregar um jogo” do que sermos práticos e dizer que, se fosse você, colorado, tendo que ganhar pra dar um título ao Grêmio e NENHUM beneficio a você, você também não faria. E se fizer, é tão ético quanto burro.

Porque aqui, nossa terra, onde adoramos “babar ovo” pra gringo e menosprezar o nosso todo santo dia, adoramos a decisão. Mas nunca sugerimos que ela fosse artificial e pré-agendada.

Decisão é entre dois que “decidem”. Não entre um que, por rivalidade, fará de tudo pra prejudicar o adversário.

Que diabos de “exemplo desportivo” é esse onde se força a tentativa de evitar o mérito alheio como argumento para transformar um final melancólico em grandioso?

Estes clássicos no fim do campeonato são a maior prova de que essa porcaria de copiar europeu não funciona aqui.

Em breve você terá que ver jogo sentadinho num Maracanã sem geral. É o fim dos tempos.

Você na poltrona numerada, longe de seus amigos que compraram outro setor, tomando cerveja sem álcool, aplaudindo lateral e torcendo pra vencer o Goiás, em casa, na última rodada. Pois se vencer, analisando o resultado do seu rival lá contra o Figueirense você receberá a taça na segunda-feira no teatro municipal.

O anti-climax anunciado, planejado e pior: exaltado.

Campeão ganha do vice. E ponto final.

abs,
RicaPerrone