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Um rei para os bobos da corte

Pelé tem 72 anos, completa hoje. Ganhou tudo, fez chover, foi um atleta espetacular no esporte mais popular do mundo. Mas algumas pessoas tem a necessidade de buscar uma pauta nova quando se cansam da anterior, mesmo que ela não tenha perdido a validade.

Incoerentes, querem um “novo Pelé”. E claro, querem que venha da Argentina, assim se tornam ainda mais “anti-populares”, “diferenciados”, “livres de qualquer paixão”.

Messi é craque, gênio, um dos melhores que vi jogar. Aos 25 anos, porém, é injusto coloca-lo sequer acima de Ronaldo, Romário e outras feras de carreiras já concluidas. Imagine de Pelé…

Custo a entender a lógica dos bobos da corte. Eles dão risada quando alguém compara Neymar, de 20 anos, com Messi, de 25.  Mas acham natural tentar colocar Messi, de 25, no nível do maior jogador de todos os tempos, que foi até os 40.

A necessidade é infernal. Eles precisam de uma novidade, uma nova Xuxa para serem paquitos.

Quem melhor do que Messi, o anti-brasileiro? Joga fora, é argentino, não vai pra balada, não dá entrevista e não faz cabelo engraçado. É o perfeito comentarista de emissora chata.  O marido ideal pra sua filha.

Mas eu não tenho filha, e se tivesse, não queria que se casasse com um argentino pra ter meus netos divididos.  Apenas vejo futebol, assim sendo, Messi me interessa jogando, como Renato Gaúcho nunca pesou na minha avaliação pelo número de mulheres que diz ter “passado o trator”.

Porque a necessidade em procurar nosso ponto alto e desmerece-lo? Qual o critério sendo que quando Ronaldinho, Ronaldo e Romário, que tiveram sim fases tão espetaculares quanto a atual do Messi, nunca os colocaram no patamar do Rei?

Porque eram brasileiros e, portanto, não seria afrontoso?

Messi tem 25, pode ser Pelé. Pra ser, falta uma eternindade. Mas pode, como o Bruno Mendes do Botafogo também pode. Basta fazer tudo que Pelé fez, com a regularidade que fez, sendo tão especial pro esporte quanto ele foi.

Duvido. Mas pode.

O que não pode é tentar colocar no patamar de um Rei um dedicado soldado em busca do seu espaço na história.

Messi é Messi, fazendo e trilhando um caminho que Ronaldinho, por exemplo, também trilhou.  Pode manter, pode sumir, pode se perder, o que não pode é ser eleito pelo que “poderá fazer”, não pelo que de fato ja fez.

Para desespero dos bobos da corte, o Rei segue o mesmo. E se um dia for descoroado, pode ser pra Messi, pra Neymar, pra alguém que sequer nasceu.

Mas será quando o quadro estiver pronto, jamais enquanto estiver sendo pintado.

abs,
RicaPerrone