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Um erro por inclusão

Toda vez que o mundo força uma situação para equilibrar as coisas eu me sinto menos evoluído. A CBF hoje apresentou regulamento de que os times tem que ter um time feminino para jogar a Libertadores masculina em 2019.

Ou seja, eu quero que os clubes virem empresas, mas também quero que eles façam ações de inclusões e não tratem o futebol como negócio.  Sim, pois como negócio, não é bom. Se fosse, teriam. E mesmo se fosse e não quisessem ter, é um direito deles.

Não tem nada a ver com machismo ou feminismo a obrigatoriedade sob pena de exclusão incluir as mulheres no jogo. É uma forçada de barra bem contestável que abre espaço para mil outras exigências.  Amanhã haverá a obrigação de um time paralímpico? Poderá um clube sem basquete jogar o torneio de volei? Ou um clube que so tem volei feminino, pode jogar a superliga?

Me desculpe, mas quanto a negócios – e trata-se de um – devemos respeitar a lei do mercado. Se há demanda, faz. Se não há, não fazemos.

É bacana que tenha o campeonato feminino? Muito! Mas obrigar clubes a isso, jamais! Faz quem quer, participa quem quer e cada clube sabe onde enfia seu dinheiro.

A CBF não deveria regulamentar esse tipo de coisa enquanto seguimos vendo nossas crianças virando “fãs de Chelsea” porque perdemos a identidade.  Porque não tem um sujeito capaz de parar tudo isso e acabar com entrada protocolar, devolver bandeiras, faixas, torcidas meio a meio, festa na entrada dos times, redes véu de noiva e campos com tamanhos personalizados.

Nós queremos cada vez menos o nosso futebol e cada vez mais fazer papel de coxinha tentando até forçar mercado para uma coisa que hoje não tem demanda. Ajudem o futebol feminino, mas não façam dele um “prejuizo obrigatório” para os clubes.

Bons negócios evoluem porque são bons, não porque obrigam a existir. Incentive o clube a ter futebol feminino criando um campeonato forte, com patrocinadores e visibilidade. Não os obrigue a nada.

abs,
RicaPerrone