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Soberanos e Soberbos


Dez dos doze maiores clubes do país estão eliminados das principais competições do semestre. O São Paulo é apenas um destes dez, mas é aquele que pior reagiu a derrota.

Não há nenhuma catástrofe em cair na Copa do Brasil, mas para o São Paulo há.

E há porque sua arrogância transformou a Copa do Brasil, para sua torcida, numa porcaria. E assim sendo, quem perde porcaria pra time pequeno merece ser questionado.

A torcida, que tanto questiono pela postura pouco fiel e exageradamente arrogante, não tem muita culpa de achar que o Lucas é pipoqueiro, que o time é um horror, que o Rivaldo é gênio, que perder um jogo é crime, etc.

Afinal, apenas refletem na rua e na arquibancada aquilo que sua diretoria plantou, neste caso com o aval do capitão Ceni em uma das poucas vezes que perdeu a linha, quando disse, em 2008, que “não se via jogando a Copa do Brasil”, apenas a Libertadores.

Ao dizer isso não apenas menosprezou a competição mas também seu passado, já que foi a Libertadores pela primeira vez com quase 10 anos de titular já.

Enfim, criou-se a idéia que o SPFC não pode perder nem Libertadores, imagine a Copa do Brasil.

E, de novo, perdeu.

Seria motivo de frustração a muitos, quase todos. Mas de revolta a esse ponto, não sei.

O Rogério quer enfiar a cabeça na terra, o Rivaldo foi “humilhado”, o Carpeggiani está na corda bamba e o Lucas virou pipoqueiro. Tudo isso numa noite onde o time, de fato, foi muito mal.

É aquele limite dificil de identificar entre ser Soberano e Soberbo.

Sim, Soberano pelo que fez em sua história gloriosa e fantástica. Soberbo por achar que isso o torna único e diferente dos demais.

Não torna. O futebol ensina isso ano após ano e tem gente que não aprende.

O Rivaldo teve uma atitude inteligente. Usou a eliminação e a fragilidade do time e do técnico naquele momento pra sair de herói e vítima ao mesmo tempo. Porém, quando aplaudido numa vitória em casa ha algumas semanas, ele não foi falar na imprensa que era humilhado.

Oportunista. Não era hora. Seu depoimento não fez bem a ninguém! Apenas piorou o ambiente no clube, causou saia justa com quem estava em campo e praticamente derrubou o técnico.

Não, eu não estou defendendo o Carpeggiani. Acho o técnico ruim, sempre achei, desde sua chegada onde falei ao telefone com dirigentes do SPFC dizendo considerar um puta erro contratá-lo, e também postei no blog na ocasião.

Ele é culpado por parte da derrota, sem dúvida. Mas ele não humilhou nem o Marlos, nem o Rivaldo.

O primeiro já tem é muita sorte de ser queridinho no grupo e por isso jogar sempre. Porque não joga nada! Devia agradecer a Deus pelo Carpeggiani coloca-lo, não sair bravinho por ter sido substituido.

O segundo é um caso complicado. Onde é que está a humilhação em ficar no banco sendo que aos 39 anos, quando jogou, jogou pouco? Você pode achar que ele cabe no time ou não, é uma outra discussão. O que não dá pra discutir é o direito do técnico em manter um jogador no banco.

Onde está a humilhação, Rivaldo? Você veio do “Uzuberquistão da Papua Nova Guiné” outro dia e tá achando humilhante ser banco do São Paulo?

Se acha, ok. Mas fala quando tá ganhando. Usar o dia onde todos os alvos estão fragilizados pra bater é covardia.

O São Paulo não deixa de ser um dos favoritos ao Brasileirão por isso. Repito que dez dos doze maiores estão eliminados, todos eles pra times menos qualificados. Acontece, é o futebol.

Eu acho até bom esse período sem títulos, caindo em torneios menores, longe da Libertadores. O São Paulo, a diretoria e parte dos sãopaulinos precisa voltar pro chão e cair na real.

Aquilo de 2005 a 2008 é sonho, um momento glorioso atípico a qualquer clube. Acontece a cada 20 anos.

Aqui, na Terra, especialmente no Brasil, os clubes perdem, ganham, se viram pra pagar salário, vivem momentos bons e ruins. É natural.

Volta pra cá, Tricolor. Aí em cima tá complicado.

abs,
RicaPerrone