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Roteiros prontos

Eu gosto muito de observar como o futebol é cruel com alguns roteiros previsíveis.  Quando você vê o resumo da vida do Messi, toda sua trajetória na seleção e o quanto lhe falta essa “identificação” com seu país, você não tem dificuldade em notar que tudo que ele gostaria de ter hoje era um título mundial com a Argentina.

Tá na testa dele. E tal qual Zico, ele negará se não conseguir. Dirá que o que fez no Barça já o completa, que não trocaria, etc. É natural, o ser humano inteligente é aquele que vê o que conseguiu e não o que faltou. Messi tem 29 anos, ainda jogará uma Copa em muito alto nível.

A Russia seria a Copa de 86 do Zico.  Um roteiro épico de persistência, superação e espera com final feliz. Mas que o futebol, filha da puta, não permitiu.

Eu tenho quase certeza que a maioria das coisas na vida são consequências naturais dos seus atos. O futebol é o ponto que me tira essa certeza.

Porque Thiago Neves fez 3 gols numa final de Libertadores e não virou herói.  Porque o Zico se matou pra jogar uma Copa e perdeu o pênalti que podia decidi-la. Porque Messi erra o pênalti que daria o título do fim da fila pra seleção dele.

Hoje temos alguns roteiros prontos. O mais cinematográfico é o de Messi levantando a taça de campeão numa Copa chorando feito uma criança e se tornando a história de superação e vontade de vencer pela seleção mais incrível do século, inclusive colocando como “ato de amor” o seu tosco abandono glamourizado.

Mas é futebol. E toda vez que eu olho pra esse roteiro e vejo 2018 chegar eu penso: “Uma história triste também não cai mal de vez em quando, né?”.

abs,
RicaPerrone

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