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Reta final – Desmascarando pontos corridos

Dizem, e eu discordo, que o formato de pontos corridos é o ideal ao futebol brasileiro. Por anos acreditei nessa teoria, até ver acontecer e mudar de idéia. Faltando 7 rodadas, o Brasileirão vai, de novo, desmascarar a teoria de que o formato atual é “justo” e, portanto, o melhor.

De justo, meus caros, os pontos corridos não tem nada. Tem na Europa, onde 2 times ficam batendo em bêbado o ano todo. Aqui, onde os grandes são vários, não existe isso e o argumento é mentiroso.

Pode defender o formato por outros motivos, todo argumento bem colocado é válido. Tem suas vantagens, claro! Mas por “justiça”, faça-me o favor.

Faltam 7 jogos. A tabela diz que 8 clubes ainda tem condições de lutar pelo título nacional. Vamos, humildemente, excluir o Atlético PR desta analise por se tratar de um clube “sem clássicos” no Brasileirão, o que faz diferença no fim do ano.

Dos 7 jogos restantes, veja você, alguns podem ter um caminho mais fácil. Pela tabela? Não… pela falta do que fazer dos rivais. Como tem sido todo ano, de forma clara ou velada, o final do campeonato é resolvido por jogos facilitados, quase entregues.

“Todos jogam contra todos! É justo”. Não é. Você não pega “todos” na mesma condição. Você pega alguns deles entregando pontos num momento e disputando vaga em outros. Justo é o campeão ser melhor que o segundo, o terceiro, o quarto.

Campeão ganha do vice. Não do rebaixado.

Nos 7 jogos finais, o Fluminense corre risco de encarar um Guarani rebaixado na última rodada, o que lhe daria 3 pontos na partida decisiva. Mais do que isso, ele pega Palmeiras e SPFC nas rodadas finais, antes do Guarani. Se ambos estiverem fora da briga pela Libertadores, naquela zona de férias do Brasileirão, alguém acha que eles vão ajudar o Corinthians?

Corinthians que, por sua vez, encerra contra o Goiás. Mesmo fora, se já rebaixado, são 3 pontos entregues.

Nenhuma novidade. Todos os títulos de pontos corridos são resolvidos, em parte, por jogos onde o clube X briga com um e entrega pra outro, seja por não ter chances, seja pra priorizar outro torneio, ou até mesmo pra não ajudar o rival.

E aí vamos ao Botafogo. Ele pode chegar na última rodada dependendo dele pra ser campeão. Seu último jogo é uma pedreira, o Grêmio fora. Mas… e se o Inter for líder, o Grêmio não tiver mais chances de Libertadores… ele ganha do Botafogo e dá o caneco ao Inter? Não, não dá. Sabemos disso.

E o Santos encerra contra o Flamengo, que pode tirar o caneco do Flu. E aí? É justo? O Santos jogou os mesmos 22 jogos contra grandes no Brasileirão que os outros, caso aconteça?

Palmeiras, por exemplo, encerra contra o Cruzeiro. Ah se ele for campeão da Sulamericana ou não tiver mais chances de Libertadores, sabe quando ele vai dificultar e dar o título ao Corinthians? Nunca.

Cadê a justiça?

Cadê o bom senso do campeonato? Onde que “todos jogaram contra todos”?

Isso é mais justo do que juntar 8, DAR VANTAGENS REAIS (não apenas o empate) aos melhores e fazer o campeão bater no vice?

Onde que é mais contestável um campeão oitavo na primeira fase, que bate no líder, bate no terceiro e bate no vice do que aquele que brigou de igual pra igual até o fim pra ser ajudado nas últimas rodadas em troca de “falta de motivação” alheia?

Não defendo o formato mata-mata como era antes. Tem que ajustar, dar mais vantagens a quem fez melhor campanha, criar mata-mata também pelas vagas na Sulamericana e rebaixamento, pra que todos tenham mata-mata e ninguém saia de férias antes.

Agora, me dizer que o formato de pontos corridos é justo, me desculpe, é brincadeira.

Almir Guineto pra você, pontos corridos. rsss

abs,
RicaPerrone