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Rei do Rio

Há uma lenda nacional sobre “a torcida do Flamengo”.  Dizem que são terríveis, que fazem diferença, que cantam muito alto, que empurram o time, etc, etc, etc.

Os rivais dizem que é tudo mentira. Mas eu adoro uma lenda.

Sou capaz de apostar que o Saci Pererê era um neguinho manco e que o transformaram naquilo tudo.  Que o Pé Grande era só um urso com pé inchado, e que os mais incríveis milagres dos mais aclamados santos não foram “bem assim”.

Mas eu adoro que sejam. Porque se nós contarmos as histórias da vida exatamente como elas são, que graça teria viver e porque diabos faríamos tanta questão em contar?

Eu vou ao Maracanã e fico olhando pra torcida do Flamengo até me lembrar de tudo que ouvi sobre ela. Então eu me concentro em viver o que queria estar vivendo, estejam eles no mesmo clima que eu ou não.  É como se eu procurasse um Zico, uma geral e tentasse ver a minha volta tudo que meu pai me contou a vida toda.

A tal da magia, a tal da energia, o tal do Maracanã e a porra da “nação” que tanto falam. Era um Fla-Flu, meu jogo favorito.  Eu queria ter tido mais gente do outro lado para mentalizar uma mentira bem contada e guardar comigo o meu “maior Fla-Flu”. Mas, não consegui me enganar com tanta gente vestindo a mesma roupa.

Era um jogo do Flamengo.

E como todo jogo do Flamengo, a torcida deles toma conta do estádio. E quase como sempre eles encontram uma maneira de transformar um jogo numa grande história. Seja uma tragédia ou uma glória, as histórias escritas pelo Flamengo raramente são previsíveis.

Tinha que ser aos 40 do segundo tempo. E tinha que ser uma vitória, por isso haveria mais um no final. Para que nem houvesse apito, para que a festa fosse determinada pelo gol e não pelo árbitro.

Para que fosse marcante até mesmo quando subvalorizado.

“Ninguém liga pro estadual”. É verdade, eles estão falidos, desmoralizados, estuprados por federações estúpidas e regras absurdas. Mas o Fla-Flu decisivo transcende o estadual.  Não era pela taça, era pela glória.

Em duas decisões o Flamengo se fez favorito, tomou iniciativa, buscou o gol, fez do estádio a sua casa e das arquibancadas suas cores.  Invicto, vencedor das duas finais, pouco deixou para ser discutido.

E embora ainda discutam, a lenda continua. O Flamengo é o Rei do Rio.

abs,
RicaPerrone