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Quanto vale o show?

Tirando a ignorancia que acompanha qualquer opinião sobre futebol, há argumentos para os dois lados na questão dos ingressos. Não me iludo com certas teorias, mas não posso aceitar que seja tão simples quanto parece.

Mas parece.

E se tem uma coisa que muito se fala no futebol é “profissionalismo”.  Mas vejamos.

Eu assumo um restaurante que está meio velho, a comida é ruim e cobro média de 20 reais por prato.  A situação está feita, estou sem grana, quase falido.

Então eu invisto, troco as cadeiras, faço empréstimo e melhoro pelo menos o ambiente do restaurante.  A comida, no entanto, continua ruim. Mas para que ela melhore, eu preciso de dinheiro. Então, crio um programa de fidelidade e subo o preço dos pratos para 50 reais.

Assim, forço o consumidor a usar minha fidelidade.

Mas o prato continua não valendo nem os 20. Porque diabos alguém pagaria 50, ou mesmo faria uma fidelidade para poder almoçar ali sempre se a comida é ruim?

Porque tem fome. E porque só existe este restaurante capaz de sacia-lo.  E então isso caracteriza oportunismo, abuso ou estratégia?

Você está vendendo pela necessidade da sua empresa e pela falta de opção do consumidor. Não porque seu produto vale o que você pede.

E não me faça o comentário dos “eu paguei meia” porque isso não é preço, é CONDIÇÃO.

Eu não consigo entender como profissional pedir mais dinheiro a você e te oferecer a mesma porcaria no jantar. Eu preciso melhorar o jantar para, então, te pedir mais dinheiro.

E alguns clubes não conseguem entender essa lógica. Mas não entendem com classe, fazendo um puta discurso de “profissional”, justificando “contas a pagar” e não sei mais o que.  Então eu pergunto a estes caras se eles acham justo virem comer no meu restaurante ao dobro do preço para “me ajudar”?

Não é justo. É compreensível, mas não é profissional.

Por pensar assim me oponho aos ingressos caros no Brasil. Ninguém paga pra sentar em cadeira nova, mas sim para assistir a um grande jogo. E me desculpem, mas estes só serão “mais valiosos” quando conseguirmos não vender nossos jogadores todos pra Ucrania.

Antes disso é pedido de esmola, não venda de produto. O que não me parece, nem de longe, “profissional”.

abs,
RicaPerrone

 

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