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Quando todos erram

Caro amigo tricolor, eu entendo seu estado de irritação em ver seu time mudar de “novo Barcelona” pra “Getafe”  em 2 semanas. Mas acho que também é preciso entender bem o que está por trás disso tudo para avaliar os culpados, as vítimas e as soluções.

Há um acordo entre empregador e empregado desde 1840 antes de Cristo que diz que o empregador paga, o empregado trabalha. A partir do momento que eu, empregador, devo algo a meu funcionário, a situação se torna confusa.  Eu não posso cobrar de alguém se devo a ele. E se não posso cobrar, fico a mercê da boa fé alheia.

Eu não conheço o Fred pra saber se é um tremendo mau caráter ou um sujeito que casaria com a minha filha. Acho também que 99% dos torcedores não conhecem, portanto, quando jogam nas costas dele a posição que foi “assinada” pelo time todo, estão sendo meio injustos, já que ele é o capitão pra festas e também pra problemas.

“Mas é certo fazer corpo mole?”.  Não, claro que não!  E nem sei se estão fazendo.

Parece? Parece. Vamos ser francos.  Mas imagine a segunda-feira de uma empresa onde o chefe reúne o grupo pra cobrar sendo ele o devedor.  Não tem ambiente pra essa parceria ser vitoriosa. Pode ser, como no Botafogo, uma coisa de superação e tolerancia.  Você joga pra não cair.

Quando o time chega no aeroporto e marginais atiram pedras nos caras, a burrice supera a discussão inteligente e a razão cai no colo do agredido.

Não há nada que tire a posição de vítima dos caras quando agredidos. Cobre, proteste, vá lá, vaia, faz a porra toda. Mas agrediu, perdeu.

Agora vítimas de um acordo não cumprido e de violência da torcida, quem vai tirar a razão dos jogadores do Fluminense?

Sejamos inteligentes, pelo amor de Deus! Se é uma tentativa de equilibrar o que se deve de um lado e de outro, se um terceiro entrar pra atirar pedras, acaba qualquer tentativa de entendimento saudável.

Não tem santo nessa história. O Fluminense errou ao não cumprir o prometido desde o prêmio de 2012, os jogadores em talvez terem refletido sua insatisfação em campo, parte da torcida em ter reagido de forma ignorante e fora do local adequado.

Fred e sua turma usaram o momento pra protestar e aí, com o time jogando mal, todo mundo fica contra. Outro dia, quando a bola entrava, a organizada fez igual e a torcida comum ficou do lado do Fred.

É simples. Infelizmente, no futebol, só existe uma coisa: Ou a bola entra ou não.

O resto é mera consequência.

Mas eu prefiro uma gente disposta a tentar ganhar a vontade do time gritando a favor e indo aos jogos do que a base de ameaças físicas.

O que o Fred tentou dizer, acho, é que não dá pra acreditar que todo clube tenha que conviver com seus 20 marginais de estimação sem que a polícia e o clube jamais tomem uma posição que nem é pra aplaudir. Mas o mínimo que se espera deles.

abs,
RicaPerrone

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