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Quando éramos bobos

“Se lembra quando a gente
Chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre
Sem saber que o pra sempre sempre acaba…”

E o tempo passou e nos tornamos mais bem informados, menos sonhadores, mais realistas e, portanto, menos bobos.

Sabemos hoje o que não sabíamos e por isso não perdemos horas com o que não importa. Nossa vida é prática, curta, otimizada.

Quando eu era garoto sonhava que futebol era perfeito. Descobri que não e hoje vejo garotinhos de 10 anos contestando o salário de um craque tanto quanto se preparando pra Copa sem o pudor de estar fazendo papel de bobo.

Fui bobo quando acreditei em Papai Noel e deixar de acreditar nele foi a maior bobagem da minha infância.

Somos mais maduros, não caímos em qualquer coisa. Não acreditamos mais em propaganda de margarina, nem no ufanismo do Galvão. Quando falam em “pátria de chuteiras”, ironizamos e remetemos a um passado não tão lúcido.

Crescemos. E agora nossos garotos sabem a verdade, não perdem tempo com ídolos tolos ou com clubes que ganham milhões enquanto você se mata em frente a uma tv.

Nós não ensinamos mais os nossos filhos que tudo aquilo é de verdade porque eles já crescem sabendo que não é. Alguém na tv já lhes tirou o Coelho da Páscoa antes mesmo dele poder curti-lo.

Melhor assim, dizem. O garoto está mais inteligente, menos manipulado. Pronto pra dura vida que lhe espera.

Dura realidade onde a verdade está sempre colocada acima do sonho. Onde não acreditamos em mais nada e nem em ninguém.

Papai Noel sem barba, fadas do dente que não voam e uma Copa que remete a dinheiro, política e discursos sobre engajamento.

Éramos bobos, mas éramos tão felizes.

Bobagem. Somos agora mais preparados e não aceitamos qualquer coisa. Para nos fazer feliz, hoje, não basta um super herói fantasiado numa festa qualquer. Eu sei que ali tem um ator.

E quem dera não pudesse saber. Pois se pudesse, voltaria no tempo e apagaria todas as verdades que aprendi em troca dos sonhos que deixei de ter.

Nada pode ser pior ao ser humano do que o pragmatismo.

Hoje andei pela cidade. A seleção está firme e forte na briga pelo título, ainda invicta e favorita. Mas o sonho acabou.

Até porque o hexa não é um sonho. O que tem em torno dele, seria.

Peço desculpas aos filhos que ainda não tive. Mas eles não vão sonhar o que eu sonhei. Por outro lado, carregarão o peso da verdade desde cedo, sem poder acreditar no impossível, nem mesmo no delirante desejo de que tudo vai dar certo sempre.

Que merda de troca fizemos.

abs,
RicaPerrone

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