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Quando a regra não é clara

Eu não quero levar a partida para a arbitragem, se é isso que o título lhe sugere.  Sobre os pênaltis, discutíveis, eu não daria nenhum deles. Mas a regra que realmente quero discutir é outra.

Gabriel tem 19 anos.  Esse menino joga sua primeira grande decisão como protagonista titular de um grande clube ao vivo para todo país. Aos 5 minutos de jogo o Santos tem um pênalti, ele pega a bola e vai cobrar.

O gol do Gabriel poderia abrir caminho para a tal vitória fácil que previam do Santos sobre o Palmeiras. Mas ele perde. A trave o leva do céu ao inferno e, candidato a herói, no momento, é o grande vilão em caso de derrota.

Esse menino joga o restante da partida tendo que absorver tudo isso e tentar compensar de alguma forma seu erro. Já no fim do jogo ele marca um golaço e dá ao seu time a vitória que encaminha para um título ainda indefinido.

Gabriel então perde a razão, o controle e tira a camisa.  Ele grita, se bate, olha pra torcida, pro céu, agradece, não sabe nem pra que lado correr.  E ao final deste memorável momento que faz do futebol a nossa estranha loucura, ele é punido.

Eu sei. Vai ter alguém que dirá que “o patrocinador, blá blá blá…”.  Mas é realmente passível de punição por regra que o descontrole emocional após ser o autor de um gol decisivo seja um erro?

Você realmente gostaria de futebol tanto quanto gosta se o garoto fosse até a grade e desse um soquinho no ar já caminhando pro meio campo?  O quanto você se identificou com a perda de controle dele, a euforia e a vontade de correr pra todos os lados ao mesmo tempo?

Em 2006 Tinga foi expulso porque tirou a camisa quando fez o gol mais importante da história do clube.  Como prêmio ele viu o jogo terminar fora do gramado.

Eu não contesto os argumentos sobre patrocinadores e conduta.  Contesto o real significado do futebol e de se realmente o patrocinador prefere ficar na pele de um profissional frio e calculista do que voar das mãos  de um herói de título.

Eu ia querer voar.

abs,
RicaPerrone

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