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Protocolo gourmet do futebol

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Quando eu era moleque os times entravam em campo, tinha fogos, vaia, festa, a porra toda. Entrava cada um quando bem entendesse, e assim as torcidas faziam suas festas separado.

Os juizes entravam antes, e nós xingavamos até a décima geração deles.

Os dois times faziam uma fileira, cumprimentavam a torcida e iam aquecer.  Sem caô, hino desrespeitado, fileirinha de vôlei pra dar “oi” pro coleguinha.  Era diferente.

Aí inventaram dos dois times darem as mãos antes do jogo. Porque? Porque na Europa tem, logo, temos que fazer igual.  Acabou a festa individual de cada torcida, as entradas triunfais, as vaias ensurdecedoras ao adversário e tudo virou padrão.

Tudo que é padrão me irrita.

Campos padrão, estádios padrão, torcedor padrão, jogador padrão.  O padrão massacra a alma do futebol.

E lá estão, frente a frente, sem nenhuma espontânea vontade, desafetos que trocam cuspes e pontapés há anos. Se por rancor de um dos pontapés ou por mera provocação para o que vinha a seguir, é parte do show a atitude do Rodrigo.

“Ah mas é falta de educação…”.  Ah, vai descolar o tampão do dedão na rua e vira homem, rapaz!  Isso é um espetáculo de entretenimento com uma disputa no meio.  Vai ver se no UFC, que é puro entretenimento até a luta começar, um deles sai sorrindo pro outro.

Porque é mal educado? Não, porque vende! Promove.

Fred x Rodrigo vendem desde já uma possível final épica. Essa “briga” dos dois vai virar história pra você contar pros netos, e um dia, com 55 anos, eles vão se encontrar no Esporte Espetacular e fazer as pazes numa matéria que vai consagrar o novo Leifert.

É um processo. Ele não pode parar.

Precisamos de ídolos, inimigos, alvos e resultados.  Respiramos isso durante o campeonato e qualquer promoção quanto a isso é benéfica ao espetáculo.

Fosse tão relevante quanto sugere a principal notícia de um portal hoje, as organizadas se espelhariam e virariam as costas uma pra outra, não trocariam tiros e bombas.

Simplesmente é parte do show. Menos.

abs,
RicaPerrone

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