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Paracomisso 2016

Acho do caralho, uma lição de vida. Se dependesse do meu reconhecimento, seria como eu quero. Mas está na hora das pessoas pararem de hipocrisia em rede social e aceitar que a vida tem uma lógica e que ninguém, nem mesmo quem tanto critica, trabalha por “amor”.

Trabalho é por dinheiro. Alguma satisfação, talvez até um ideal. Mas fundamentalmente se trabalha para transformar suor em sustento.

Toda vez que você “pede” mais espaço para algo você está pulando toda a lógica para se mostrar engajado e um bom sujeito. Mas se você inverter a pergunta e tentar responder “porque não passou?”, vai notar que toda pergunta tem uma resposta e que a melhor forma de se chegar a alguma conclusão é tentando ouvi-la.

Quem faz grade de televisão é dinheiro. Nenhuma TV é ONG e, portanto, embora num país onde buscar dinheiro seja crime na cabeça limitada do povo, é bem simples entender suas decisões.

A comparação de exposição de mídia entre as Olimpíadas e as Paralimpíadas chega a ser engraçada de tão surreal. É óbvio que é um evento inferior e menos importante. Se você eventualmente não achar, note que os números respondem a você.  Tentar fazer disso um tabu e agir com “pena” não gera inclusão alguma para os nossos ótimos atletas que lá estão.

Eu não sou deficiente, mas entendo que eles queiram inclusão e não dó.  Ninguém precisa “pedir” pra que os assistam pra ajudar.  Assistam porque é bom. E se você não gosta, não assista. E a maioria não assiste. Porque? Não sei. Não se trata disso esse post. Trata-se do fato de que não dá grande audiência e, portanto, não dá retorno.

Logo, a TV não passa.

É assim com o show do Cauby que você acha melhor que o do Naldo. As pessoas assistem Naldo, logo, transmite-se o Naldo.

Ah mas por isso que o Brasil… Blá, blá, blá! Em qualquer lugar do mundo vende-se o que as pessoas querem consumir. Inclusive onde funciona.

Separemos a “dó” das obrigações.  Eu também acho incrível o que eles fazem, acho que mereciam estar na tv com cobertura enorme. Mas não acho um absurdo que não estejam, nem acho obrigação de qualquer tv transmitir algo porque é socialmente “bacana”.

São quase 2 milhões de ingressos vendidos e tvs a cabo passando tudo num evento esportivo de pessoas que foram desacreditadas a praticar qualquer esporte.  Acho que há uma valorização, não?

Você realmente acha que esses caras estão mais preocupados com a transmissão da Globo do que com o fato de serem atletas depois de tudo que a vida os reservou?

Valorize-os pelo que são. Não porque “não são” como a maioria.  Não peça “atenção”, deixe que a que eles tem seja respeitada como “conquista”.  O que eles menos tem é “sorte”. Ali tem pessoas que “conquistaram” o que tem.  Não peçam doação de atenção e mídia.

Eles não merecem e nem precisam disso. Tal qual a TV não tem qualquer obrigação de transmitir o que não lhe dê retorno comercial.

abs,
RicaPerrone

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