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Pai

Eu queria ser pai. Um dia eu sonhei em ser pai e por muitos anos eu alimentei essa vontade. Hoje, talvez não. Mas amanhã, é amanhã.

E toda vez que eu queria ser pai imaginava a repetição de tudo que vivi com o meu próprio pai. Eu nunca me imaginei fazendo algo com meu filho que não tenha feito com meu pai.

Quando fechava os olhos e imaginava uma moleque com a minha cara (tadinho!), era no Morumbi comprando sorvete pra ele parar de encher os saco e me deixar assistir o jogo.

Era chegando na cama domingo de manhã pra ver a corrida comigo enquanto acordávamos pensando em que horas iríamos ao clube.

Trocam os personagens em volta, mas não a essência do que vivi. Eu queria meu filho vendo a Ferrari ganhar, com meu pai e eu viamos o Senna.

Quando imagino, tudo que imagino é o que vivi. E se queria repetir é porque como filho gostei, logo, imagino, como pai deve ser gratificante saber disso.

Talvez eu nunca tenha dito ao meu pai, mas tudo que lembro de bom na minha infância ele estava do lado. E tudo que eu sonhei em fazer com um filho que ainda nem tive, é ainda com ele do lado.

Na verdade eu queria muito mais dar a ele um neto do que ter um filho.

Pode ser que eu tenha esse filho, pode ser que não. A vida me ensinou a não prometer, nem rejeitar coisas que um dia já quis muito.

Passados 38 anos, acho que consigo entender que na verdade eu nunca sonhei em ser “pai”. Eu queria mesmo era ser “o meu pai”.

Eu nunca serei esse cara porque eu não tenho a generosidade, a simplicidade e nem as prioridades dele. Eu queria saber dizer “calma, eu to aqui” sem abrir a boca como ele. Mas eu não sou assim.

Das 10 coisas que mais amo na vida, 9 você que me ensinou a gostar.   A outra é você mesmo.

Te amo, cara!
Feliz dia dos pais!

RicaPerrone