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Onde você estava?

Hoje combinava com amigos pra amanhã e lembrava das últimas Copas.  Aquela tristeza em 82, a euforia em 94, a dor em 98, a raiva em 90, entra tantas outras que já passamos com a nossa seleção.

Lembrei de tanta coisa que fiquei até nervoso pro jogo de hoje. Já vi jogo na rua, com turma, em boteco, em casa, sozinho, com cachorro e até no trabalho. Mas nada se compara a final de 94.

Eu nunca tinha visto o Brasil ganhar. Era um sonho, uma coisa absurda! Ouvia meu pai contar, meu avô, eu queria muito ver aquilo. E mesmo com aquela seleção criticada pra todo lado, eu não queria saber. Só queria ver como era ser campeão mundial. Só que de verdade, não de clube.

Mundial de clubes é legal, mas com a seleção é diferente. É todo mundo, não tem ninguém triste, é… sei lá. Não consigo explicar. Pra mim ver a seleção campeã é também um motivo de orgulho pessoal.

E naquela Copa, mais ainda.

Morava com meu pai, num apartamento pequeno em Pinheiros. No dia da final, ele foi ver na casa do meu tio. Não quis ir, porque meu tio é chato pra caralho e me irrita quando o assunto é futebol. Fiquei sozinho em casa, comendo unha desde cedo.

Eu já me preparava para ver tudo só, quando desci e comentei com os amigos que estava em casa sozinho. Subiram 20 pessoas pro apartamento que não cabia 5. Todos na sala, cada um com um copo na mão e torcendo pro Brasil.

Foram 90 minutos insuportaveis. Me lembro que eu sentei no chão, no meio de todos, em frente a TV. Em volta tinha sofá, cadeira, o diabo. Todo mundo ali, e eu no meio.

Vieram os penaltis e eu me lembro de ter começado a chorar de nervoso. Olhei pra trás e tinha mais uns 5 chorando, pensando mesma coisa que eu: “Será que de novo não verei o Brasil campeão?”.

Era diferente. Pra nós, era novidade. Nós não sabiamos como era ser campeão, ao contrário da geração atual que acha natural e até dever ir lá e ganhar. Pra nós, era dificílimo, quase um sonho.

Na hora que o Brasil perdeu o penalti eu já não sabia mais pra onde olhar. Meti a mão na cara e não queria mais ver. Meus amigos foram sentando, como quem abandona o barco.

Mas eles perderam, e tudo voltou ao normal.

Perronedeogum surgia ali, diga-se. Na hora que o Baggio foi bater, todos diziam frases como “esse não erra”, “esse é foda”, e era mesmo.

Eu disse, alto: “Vai pra cima!!! O Zico errou, ele vai errar!’.

Quando aquela bola subiu… puta que me pariu….

O copo quebrou na minha mão porque todos pularam em cima de mim. Abrimos a porta e saimos comemorando na rua sem ver nada, sem fechar a casa, sem desligar a tv. Pegamos o onibus que tinha passando e fomos nele até a paulista, isso tudo em questão de 3 minutos. Foi uma loucura.

Gritavamos o nome de cada jogador no onibus, até chegar na Paulista, onde abraçavamos todo mundo, sem saber quem era. Foi uma alegria absurda!

Ainda no onibus, eu olhei pras minhas mãos e vi que sangravam bastante. O copo cortou. Peguei a camiseta e enrolei na mão, sem nem me importar. Juro, não senti dor!!! A alegria era muito maior.

Quando voltei, lá pras 23h, vi a casa aberta, tudo ligado, cerveja no carpete, aquele cenário do inferno. Meu pai chegou, olhou tudo aquilo e riu. “É tetra, filho!!!”, ele disse.

Foi foda. Um dos dias mais especiais da minha vida.

E não tinha visto nada! Comemoração, nada!

Só fui ver a noite, já deitado. Quando apareceu o Dunga com a taça, chorei igual criança. Eu dizia pro meu pai que era igual o Pelé, que era igual o Carlos Alberto! Eu não acreditava que estava vendo o que sempre me pareceu história.

Dormi enrolado na bandeira. Acordei com ela, sai na rua e todos sorriam. Foi especial.

Dos melhores dias da minha vida, tranquilamente devo uns 2 ou 3 pra seleção brasileira.

Inclusive aquele gol do Adriano na Copa América contra a Argentina, lembra? Isso eu conto outro dia, porque essa deu até cinzeiro voando na janela. rs

É hoje, gente! Logo mais tem outro jogo de Copa.  Quem sabe não estamos reescrevendo essa história de 94?

Quebro uma jarra na mão se precisar dia 11 de julho.

E você? Tava onde em 94?

abs,
RicaPerrone