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Olimpíadas no Metrô – As lágrimas

Eu não fui. Na verdade voltava quando estive com as pessoas que iam. Você já foi a um velório?  Se sim, não preciso mais explicar o ambiente.  Mas era um velório diferente.  O morto estava respirando, as pessoas não queriam que ele partisse mas tinham um orgulho dele e uma vontade de homenagea-lo inacreditável.

O metrô a caminho do Maracanã era um ambiente que jamais vivi.

Pessoas falando dos jogos, interagindo com turistas e enrolados a bandeira indo pro último lugar que elas queriam ir: Ver aquilo acabar.

Os olhares conversavam. Alguns lamentavam, outros já marejavam e nem faziam questão de esconder.  Foi a festa mais triste da qual já tive notícias, porque simplesmente ela encerrava a melhor festa já feita.

O que mais me chamou atenção nessa multidão que ia para o encerramento foi um rapaz de levava a bandeira brasileira nas mãos. Ele parecia muito chateado, com os olhos vermelhos de quem havia chorado.

Andava de cabeça baixa, sozinho, sem pressa. Quando ele esbarrou em mim na troca da roleta eu jurava que ouviria um “desculpa”,  em bom portugues.  Mas não. Ouvi algo que não foi sequer em inglês.

Esse cara é de algum país distante, talvez até meio exótico para os padrões de turismo convencionais. E ele chorava indo pra despedida das olimpíadas levando a bandeira do Brasil.

Ainda fiquei de olho mais uns minutos pra tentar confirmar a impressão e sim, ele realmente era gringo e se comunicava muito mal. Pedia ajuda em gestos mais do que em ingles. E ficou na minha cabeça como  o retrato de um conquistado.

Eu não sei como ele chegou, o que ele esperava e nem mesmo se já tinha vindo aqui.  Mas eu vi o que ele vai levar de volta. Chama-se “saudades”.

abs,
RicaPerrone

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