Odvan, meu herói!

Sexta-feira, 22h30, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Chego ao Outback, o único restaurante que tem fila até quando está vazio em todos os tempos, e me sento no bar com a minha senhora e um casal de amigos.

Guilherme e Silvinha, ele paulista, ela carioca. Ele, sãopaulino como eu, ela, flamenguista como muitos outros.

Do outro lado do bar um grupo de ex-jogadores. Entre eles, Valber, o zagueiro. Olhamos, reconhecemos e por alguns minutos tentamos identificar os outros. Até que nos sentamos numa mesa próxima ao bar, caminho do banheiro.

Um deles passou por nós e, notando ser observado, fez sinal com a cabeça. Então, cara-de-pau, puxei assunto:

– Aquele ali é o Valber, né irmão?!
– Isso, é ele sim.
– E quem mais tá ali?
– O Paulinho Carioca, lembra dele?
– Lembro. E o negão?
– O Odvan.

E nós, naquele ar de todo homem que acha que conhece futebol profundamente dissemos, em coro: “Poooooo…. é isso! Grande Odvan”, como quem mata a charada. Em seguida, questionamos: “Tá magro, né?”. “Nossa, como tá diferente”.  Mas é assim, não é anormal. Um ex-atleta fica meio “desfigurado” quando para.

Paulinho veio a mesa nos cumprimentar. Se disse feliz por ser lembrado, brincou por ter jogado nos rivais dos nossos times (Palmeiras e Corinhians).

Neste momento Odvan passava por nós em direção ao banheiro. Então, não viu a conversa, não sabe que já tinha sido “dedurado” por um dos seus amigos. Na volta,  porém, nos viu e parou para cumprimentar.

Simpático, disse estar aposentado, feliz, tendo feito seu pé de meia.  Foi até seus amigos, ficamos lá falando dele e daquele Vasco campeão.

Minutos depois voltou. Brincalhão, cheio de história e jeitão de craque. Disse que “não jogava porra nenhuma, só metia a porrada”, e nós rimos loucamente.

Já twitava feliz da vida em ouvir histórias de Mauro Galvão, Romário e daquele Vasco campeão. E ele ali, contando tudo de forma divertidíssima e com detalhes.

Disse ter levado cano em Portugal, disse ter feito seu “pé de meia”, entre outros detalhes que nos faziam rir.

Até que, absolutamente convencido de estar ao lado de um campeão me levantei e disse ao Guilherme: “Tira foto minha com o becão!”

E o negão ali, fazendo pose. Tiramos a foto, e mais papo rolando.

Odvan nos fez rir muito. Tomou 15 minutos da nossa janta contando histórias deliciosas do futebol da década de 90.

Ao final, recebeu um abraço do Paulinho e foi embora com eles.

No twitter, contei da satisfação em ter tomado um chopp com um ex-jogador campeão e cheio de histórias. E em seguida postei nossa foto.

As pessoas começaram a ter a mesma reação que nós: “Caraca, como ele tá diferente”. E eu tentando justificar dizia: ” Ta magro né… Também achamos”.

Em casa, abri fotos do Odvan e achei diferente mesmo não tendo visto nada dele desde 2007. Por sms, trocamos mensagens, eu e o Guilherme, sobre a possibilidade de, talvez, não ser o zagueirão que tanto tietamos.

Mas não, bobagem! Ele não estaria no meio de uma turma de ex-jogadores se não fosse, de fato, o Odvan.

E ficou assim. Até que hoje descobri que ele me seguia no twitter. E então, por DM, fui confirmar.

Quer pior? 20 min após publicar este post a conta do Odvan foi deletada do twitter. Ou seja… também era fake!

Então, como sei que não era ele?

– Ele disse ter 35 anos e morar em Jacarepagua. Odvan tem 38 e é de Campos.
– Ele e mais alto que eu, o Odvan tem 5 cm a menos que eu.
– Amigos do Odvan disseram não ser ele.

abs,

RicaPerrone