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O show que recusamos

Ontem eu, como muitos, assisti a final da NFL. O famoso “Super Bowl”, partida única que define o campeonato e faz com que os EUA parem pra assistir, gerando os comerciais mais caros do mundo e, portanto, as maiores receitas.

Eu não vou entrar de novo na discussão com os analfabetos fãs de NFL que já tive. Quem leu e sabe interpretar texto, ótimo. Quem não leu ou é burrinho por natureza fica achando que eu odeio o esporte, que acho absurdo que assistam, etc, etc, etc.

Como disse, inclusive no texto, eu gosto muito de NFL. Assisto, torço pro Miami. Sim, eu sei, não precisa me sacanear.

O que vimos ontem foi um show, algo que o norte-americano faz melhor do que todos os outros. Não podemos sequer ousar comparar os campeonatos, os “clubes”, nada disso. São franquias, tem dono, não tem série B, não tem federação em toda esquina, etc. É uma empresa e os “clubes” obedecem os chefes.

Aqui não há como fazer nada disso, até porque é um esporte mundial, provavelmente mil vezes maior e mais importante do que o futebol americano, que é um esporte local.  Você não pode fazer suas regras no futebol, elas são mundiais e ponto.

Mas tem uma coisa que dá pra aprender com eles. O formato.

Todo esporte americano tem final, até a Nascar. E quando não há um grande atrativo técnico, caso da Nascar, eles vendem na base da emoção e do erro. Por exemplo, segundo pesquisa, mais de 65% dos torcedores que vão as corridas querem ver acidentes, não um show de pilotagem do vencedor.

Não sei quantos eram os turistas ontem, mas havia.  E muitos deles queriam a Madonna, o show, a euforia ou mesmo o glamour de dizer “eu tava la”.

Isso conta, queira você ou não.

A grande decisão é o segredinho básico de todo grande filme., grande show, grande peça de teatro ou grande evento esportivo. Não há no planeta um evento de grande porte onde o final não seja o mais especial.

Acho, porém, meio besta essa coisa de jogar em campo neutro. Na Champions League tem isso e eu acho uma idiotice sem tamanho.  Dizem que o jogo único reúne todas as expectativas num só dia, não correndo o risco do jogo de “ida” matar o de volta.

Mas é meio lógico também imaginar que se chegam a final são dois times parecidos e, portanto, não devem resolver tudo no jogo de ida.

Enfim, discussão pra 2 horas, com o relevante novo argumento de que o brasileiro, talvez o mesmo caga regra da nova geração que jura achar os pontos corridos genial porque europeu bonitão faz, acha a final da NFL uma maravilha.

Os americanos são o oposto dos europeus para organizar eventos esportivos. Enquanto os europeus fazem de tudo para que o mundo adore o que eles fazem, os americanos fazem pra eles, ignoram todo o resto. Mas em relação a show, entretenimento e gerar dinheiro com o esporte os americanos são professores dos europeus. Tanto que o Barcelona ganha tudo há 3 anos e há 3 anos fecha o ano com prejuizo.

Vê se um evento americano dá prejuizo pra alguem…

Jogo espetacular ontem, o que ajuda no conceito final. Mas independente disso o fato de ter “o dia”, “o local” e “os dois frente a frente” faz a diferença entre um campeão e um histórico campeão.

Taça se pega no campo, na hora, na frente do derrotado e diante dos seus torcedores.

Dizem que é injusto porque um errinho do juiz muda tudo. E vem ca, cara-palida… Os ultimos brasileiros resolvidos por 2 pontos são o que além de “um errinho do juiz”?

Se é pra errar, erra no dia da final. Pelo menos todo mundo vê, discute, grita, comemora, chora, mas… participa!

Em 2011, senhores, 80% das pessoas não viram o campeão brasileiro ser campeão. Estavam vendo seu time.

Nos EUA, ontem, 100% deles pararam pra ver.

Quem fez o melhor “planejamento” e “marketing”?

Não precisa ser muito gênio pra responder…

abs,
RicaPerrone