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O recomeço

Quando me disseram que o jogo da Portuguesa havia sido interrompido com uma liminar, estava numa festa. É claro que imediatamente repassei a informação aos demais convidados e a maioria reagiu com o natural “desgosto” de ver uma paixão em tal situação.

“É o fim”.  “O futebol brasileiro acabou!”.  “Imagina se isso acontece na Europa”, entre outras frases previsíveis eram o som ambiente após a notícia.

Pois eu não concordo. Pra mim, Lusa interrompendo jogo, Vasco sendo prejudicado aos 45, complos virtuais de torcidas contra esse ou aquele, é apenas o grande recomeço.

Não haverá mudança alguma no futebol brasileiro simplesmente porque quem pode muda-lo não está interessado. Já é interessante pra maioria deles como está.

Enquanto puderem levar adiante, levarão. E quem pode mudar alguma coisa não sabe como. Apenas um nó cego pode mudar isso.

Aquele que nenhum acordo desata. Aquele que independe de relações obscuras para se resolver. Aquele que envolve terceiros, torcedores, inocentes, gente de fora do “sistema”.

Sistema e “esquema” só é ruim pra quem tá fora dele. Quando dentro, ninguém reclama. E muita gente tá dentro. Não por serem ruins, mas por ser uma coisa viciada, viciante, sem alternativas para sobreviver sem seguir a cartilha.

Onde quero chegar?

A ação que recoloca a Lusa na série A só pode ser de um torcedor. E este, seja quem for, não sabe se o seu clube se vendeu ou apenas errou. Ele torce pra Lusa e portanto nenhum acordo o atingirá. Ele vai ter liminar a favor, contra, mas vai incentivar outros que não aceitem o que não está claro.

E uma hora, para poder seguir rolando a bola, vão ter que esclarecer.

Aí mora o novo futebol brasileiro.

Não vão profissionalizar os árbitros porque acham que é bom. Mas se o Vasco for prejudicado aos 45 e ver um título mudar de mãos, talvez a pressão do consumidor consiga fazer isso.

Não querem uma liga independente da CBF. Mas se as liminares não permitirem que o campeonato ande, terão de fazer uma.

Não conseguem pensar nem por um minuto numa solução pra um futebol melhor sem imediatamente tentar achar um modelo pra copiar. Brasileiro não pensa, pesquisa.  Ele vai atrás de uma solução existente criada por um terceiro pra poder copiar.

E então, nota que nem tudo que funciona na areia funciona em terra batida.

Portuguesa e Vasco, neste momento de revolta do torcedor, são duas esperanças de algo que pode determinar um novo futebol brasileiro. A profissionalização dos arbitros e a tal da Liga.

Aquela que fizeram em 87 e hoje renegam por uma tacinha ou mero clubismo. Aquela que Eurico assinou nas costas dos seus parceiros e deu a CBF o “poder” de jamais ter como reconhecer o campeão de fato.

Eu adorei saber que não teve jogo ontem. E vou adorar saber cada problema que impedir o Brasileirão de começar ou continuar. Até que chegue em Rede Globo e patrocinadores. Empresas que, de fato, podem ameaçar a brincadeira e força-los a mudar.

Não vai haver novidade partindo da boa fé de dirigentes que sequer sentam na mesma mesa. Mas se a torneira ameaçar fechar, vai.

Só um nó cego pára e repensa o futebol brasileiro. Talvez ontem tenha começado este nó.  E não, não é o fim.

É o recomeço.

abs,
RicaPerrone

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