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O futebol que juramos entender (Alemanha 2×2 Gana)

Porque os sustos, afinal? Não somos nós, jornalistas, que achamos que um diploma de 4 anos aprendendo a colocar virgula no lugar certo nos faz entendedores de futebol?

Na verdade, meus caros, não há diploma pra isso. Essa Copa, como quase todas as outras, como quase toda semana, só serve pra confirmar que não sabemos tanto assim, ou, mais radicalmente, não sabemos “porra nenhuma”.

Quando a gente olha o futebol atual e não entende que ele foi moldado para equilibrar jogos impossíveis diminuindo espaço, campo, aumentando físico e valorizando a parte tática, fingimos não notar que tudo isso fez efeito.

Que hoje o resultado não significa exatamente o melhor preparo, melhor time nem melhor esquema tático. Significa que um conseguiu fazer mais gols que outro e se fechar, fechar espaços, possibilidades e etc. Não tem, nunca teve, e hoje tem menos ainda, a ver com o futebol praticado.

Porque a Alemanha massacraria Gana, que não foi a semifinal da Copa passada por um surto genial/escroto de Suarez?

Porque mesmo achamos que a Costa Rica não faria nada se quando ela jogou contra a seleção brasileira taxamos de fiasco e vexame? Porque não assumimos que de fato não nos informamos o suficiente as vezes e que nossa soberba é tão clara quanto a que cobramos do “futebol brasileiro”?

Não, eu não sabia quem era Costa Rica.  Desconfiei de Gana, achei que podia complicar, mas não esperava por exemplo uma Argentina tão tosca, nem mesmo um Portugal tão morto em campo.

Talvez porque como todos nós, ouvi e fui formando opinião repetindo coisas em alguns casos. Não dá pra ver tudo, então, seguimos a maré.

Fato é que o futebol mudou, não é mais um esporte que privilegia a técnica, mas sim o conjunto entre defender e ser oportunista com velocidade e força física.  E isso pode ser feito na Zambia, no Brasil ou na Bósnia. Ainda mais quando falamos de 23 caras e não de um torneio com 20 clubes e 300 jogadores.

Esta Copa nos ensinou até aqui mais futebol do que sonhamos em ter aprendido até então. Inclusive pra nos dizer que sim, eles tremem quando jogam contra torcidas barulhentas e que pulam.  E que não, não deixamos de ser a inspiração do mundo com a bola nos pés.

Até aqui, também, que não sabemos porra nenhuma de política, engenharia, meio ambiente e outras mil coisas que nos tornamos especialistas para julgar a Copa e prever o que teríamos.

Porque não acertamos nada. Nem dentro de campo, nem fora dele.

Porque? Porque não há uma aula sobre futebol na faculdade. E o fato de ser “jornalista” não dá a ninguém o poder ou o rótulo de entendedor de porra nenhuma.  Aprendemos a escrever, não sobre o que escrevemos.

E nesta Copa, até aqui, escrevemos muita merda.

abs,
RicaPerrone

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