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O futebol como “pretexto”

Vivemos num mundo complicado, cheio de problemas. Num país que coleciona defeitos, que nunca conseguiu a independência psicológica necessaria para se tornar, de fato, independente.  Aí vem a Copa, os estádios, as reformas, as obras e os discursos pouco inteligentes querendo que o futebol transforme a sociedade e não o contrário.

Abre-se a Fonte Nova. Reclamam que torcedor não tem educação. Onde já se viu? Os banheiros sujos e alagados após o clássico?

Se vê na rua, todo dia, em todo lugar. Mas no futebol queremos ver, nas ruas, nos acostumamos a ver. O sujeito que vai ao estádio é o mesmo que anda na rua a semana toda sujando, desrespeitando leis, te fechando no transito e tentando tirar vantagem de um codificador da net com canais abertos.

Ele não vai se transformar num sujeito melhor quando passar da catraca do Maracanã pra dentro. O cidadão que marca uma briga no metrô em dia de jogo, da um beijo na mulher e nos filhos e sai para quebrar a cara de outra pessoa não se torna pior ou melhor porque entrou no Pacaembu.

Os problemas sociais não podem mais ser tratados como problemas do futebol. O futebol é um pretexto, e se deixar de existir encontrarão mais um.

Não vamos educar ninguém colocando cadeiras num estádio moderno em Salvador. Nem no Rio, nem em São Paulo, onde quer que seja. É bom que se amplie a frase, antes que digam que o exemplo de “Salvador” é preconceituoso, o que jamais aconteceria com os exemplos de Pacaembu e Maracanã acima.

Porque fora do estádio ou na web o sujeito continuará complexado, como continua mal criado, folgado, “malandro”.

O problema do brasileiro é tentar melhorar a sua vida com o que melhora a vida de outra sociedade, sempre. E lá vamos nós fazer estádios para europeus que assistem futebol sentados de cachecol nas mãos. Porque somos infiéis a quem de fato somos, e por isso não temos vergonha de copiar, de tentar imitar e quase invariavelmente … errar com isso.

Adaptamos a adaptação que fizemos até concluirmos que era mais fácil ter criado, não copiado.

Mas copiamos de novo, sempre. Por medo, insegurança ou lavagem cerebral de uma mídia baba-ovo que é incapaz de terminar uma critica a algo no país sem citar um exemplo gringo no final. Como se em cada ato racista na europa alguém citasse o brasileiro como exemplo de tolerância entre religiões, raças, etc.

A Fonte Nova me deixou bastante confuso. É bonita, interessante, moderna, nova, mas não tem nada a ver com “um estádio de futebol na Bahia”.

Parece em Londres. É elegante demais para quem se diverte de chinelo de dedo e camiseta.

“Vamos nos adaptar”

Como sempre.

E la dentro, toda vez que uma cadeira quebrar, dirão que “vândalos torcedores” não respeitam o dinheiro público.  Aqui fora, quando a cadeira do metrô estiver quebrada, ninguém vai falar nada.

É o mesmo cara. E ele não vai deixar de quebrar a cadeira do metro porque no estádio tem camera. Mas se aprender a não quebrar a do metro, sem camera, no estádio ele não fará também.

É de fora pra dentro, não o contrário.

abs,
RicaPerrone