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Nunca saberemos

O Vasco foi, de novo, especial. O Corinthians, mais uma vez, competente.  O blogueiro será, como sempre, teimoso. E o leitor, quase sempre, ignorante e agressivo.

As rodadas passam, as coisas se repetem e a única diferença é o tema. Na verdade, pouco importa.  Nunca saberemos certas coisas, e o melhor time de 2011 é uma delas.

Pro corintiano mais apaixonado, não tem nem o que discutir. Pro  vascaíno, idem. Cabe, então a quem dizer isso? Ao jornalista? Também não, pois além de não sermos Deuses vivemos um momento onde muitos de nós são apenas torcedores com microfone. Então, olhando pro twitter ao fim de uma rodada, fica duro separar torcedor de profissional de imprensa.

Perdidos todos na mesma paixão, envolvidos pela emoção avassaladora do futebol, se agridem. Enquanto isso, esquecem de ver o que realmente importa.

Alguns partem pro lado imbecil da coisa que é contestar o que teria sido se por acaso naquele lance na décima sexta rodada… Pára! Vai assistir Discovery e a vida dos cangurus! Você é chato demais pra gostar de futebol.

Salvo pelo gongo, o Brasileirão 2011 passou pertinho de ser tão criticado quanto o de 2010, onde entregas resolveram o campeão. Por um gol aos 45 minutos, mágico e histórico, o título do radinho ganhou a chance de ser mais glamouroso. Assim como o rebaixamento, quase resolvido hoje, sobrando quase nada pro fim.

Por sorte sobrou, e que bom pra todos nós. Poderia não ter sobrado nada.

Eu sei quem acho o melhor time de 2011, você também sabe o seu favorito.

Sei que o Corinthians joga por um empate e isso lhe dará o rótulo de “melhor time de 2011”. Sei que, caso o Palmeiras vença e o Vasco supere o Flamengo mesmo desfalcado, será ele o melhor.

Sei que as duas histórias estão contadas, traçadas, firmadas e não serão menosprezadas em nenhuma hipotese.

Sei que não haverá um confronto entre eles, e por isso sei que jamais saberei quem, de fato, foi o melhor time do Brasileirão 2011.

Porque entre mil alternativas, há a óbvia situação de estarem decidindo paralelamente e não entre eles.

Você acha que eu vou entrar na discussão dos pontos corridos, mas não vou. Eu tenho um arsenal de argumentos que comprovam que os pontos corridos dão ENORME chance ao azar. Você sabe disso, cansou de ver campeão sem graça e sem carisma.

Pra mim, campeão ganha do vice e pega a taça no campo, com sua torcida feliz e a outra chorando. No radinho, pegando taça no teatro e decidindo com time rebaixado, cumprindo tabela ou meramente um rival motivado pela mediocre tarefa de “prejudica-lo” é muito pouco pra mim.

Eu gosto de final. Eu gosto de barulho.

Eu gosto dos fogos, gosto do choro do perdedor, gosto da euforia do gol do título. Gosto do herói da conquista, gosto da história sendo contada com riqueza de detalhes.

Gosto de saber onde e quando a bola entrou e resolveu o título. Gosto de saber que, frente a frente, conheci o melhor.

Gosto de ter medo do meu concorrente, não da situação de franco atirador de quem recebe uma grana por fora.

Eu gosto de futebol porque ele me apaixona. Eu não suporto discutir com pessoas apaixonadas porque invariavelmente elas me parecem idiotas.

Eu gosto do que faço, odeio o que isso gera.

Eu não sei quem vai ser o campeão, mas seja qual for, não me convencerá em 100%. Talvez em 99, mas não em 100%.

Porque? Porque eu não sei se você ganharia do seu vice. Sei que você ganhou do Figueirense, do Flamengo, do Ibis, sei lá eu de quem mais.

Mas hoje, cara a cara, eu não sei se você suportaria a pressão, se reagiria bem a decisão e se eu veria um time de homens levantando uma taça perante seu maior rival ou se veria uma dor enorme pela perda.

A nossa geração de jogadores covardes que somem em decisões passa, também, pela falta delas. Não é preciso decidir, pois dizem que “todo jogo é decisão”.

Mentira. Não existe. Decisão é o que decide. E o que decide é o final.

E final, num filme, na vida ou no campo, tem que ser apoteótico pra ser eterno.

Gostei hoje? Gostei.

Gostaria muito mais se pudesse ter na memória “o jogo”, “o dia”, “o herói”, “o gol” e nunca mais o “e se”? Sim, gostaria.

Terei? Não.

Deste domingo ficam duas coisas. Primeiro que as pessoas não sabem ler quando lhes convém.  E segundo porque nosso futebol não precisa ser 100% de minha preferência pra ser brilhante.

E nós somos. Com pontos corridos, mata-mata, Teixeira ou o escambau, o melhor futebol do mundo.

Isso sim importa.

O que aliás, é outra tese defendida no blog há séculos.

Mas eu queria ver essa final. Não verei.

E não, eu não vou mandar você pra aquele lugar por você achar que é mais legal ser campeão no teatro segunda-feira.

Eu não concordo, mas se você acha, delicie-se.

O melhor formato, assim como o melhor time de 2011, nós nunca saberemos de fato.

De fato temos os campeões. E estes, gostemos ou não, ficam pra sempre.

Que vença o “mais regular”, o “mais justo”, se é assim que preferem.

Eu prefiro que vença o que vencer.

Paixão não tem justiça e nem regularidade. Futebol não tem nada a ver com nenhuma destas duas coisas.

Queira você, ou não.

abs,
RicaPerrone