Home » + Chamada » “No tiene personalidad…”

“No tiene personalidad…”

Falar bem do Messi é um esporte. Um dos mais praticados, aliás.  Messi segue o protocolo Sandy de sucesso e apenas joga futebol. Não tem opinião sobre quase nada, ninguém conhece sua voz, suas posições. Apenas o atacante.

E basta. Talvez pra ser comercialmente especial hoje em dia o melhor caminho seja mesmo não se expor em quase nada. Vide tantas pessoas no mundo que perderam patrocinadores meramente por pensar algo que muitos não concordam.

Num mundo covarde, onde ou pensa-se e age conforme a cartilha ou está fora, Messi é genial.

Mas agora mude o nome dele pra Pedrinho.  Pedrinho nasceu em Bangu, jogou no Fluminense, foi pra Fiorentina e de lá brilhou no Real Madrid muito cedo.  Não tem identificação nem mesmo com o Flu, é um jogador distante, porém um dos melhores do mundo.

Pedrinho joga menos na seleção brasileira do que no Real, óbvio, porque todo jogador quando sai de um esquema vencedor cai em média 30% do que rende. Mas Pedrinho quer vencer. Custe o que custar, a vida de Pedrinho é vencer.

Pedrinho perde uma, duas, três e percebe que sem o Real Madrid ele não é tão poderoso assim.  Nosso mulatinho de Bangu então sai de campo e diz que não vai mais jogar pelo Brasil. Que pra ele deu, que não consegue mais.

Piedade? Não. Massacre. Pedrinho seria hoje o inimigo nacional número um. O representante maior da geração selfie, o traidor da pátria, o covarde. Seria lhe jogado nas costas o esforço de Zico para jogar 86, o de boa parte do grupo em 70 e da luta de Romário em 98.

Pedrinho estaria acabado para o Brasil.

Trata-se de Leonel, não de Pedro. É argentino, acostumado a perder e, diz a lenda, lutar até o fim com unhas e dentes. Afinal, o que há de “belo” no argentinismo é exatamente essa paixão pela bandeira de seu país incondicionalmente.

E Messi, o menos argentino da Argentina, faz o que um Pedrinho jamais teria alvará para fazer.

O resultado? Dó. Piedade, pedidos de volta e compaixão.

Pedrinho estaria fugindo daqui pelos fundos do aeroporto. Sua esposa seria chamada de puta pra baixo nas redes sociais e suas camisas rasgadas por uma duzia de mongoloides pra aparecer no Globo Esporte.

Mas Léo, não. Léo não aguentou, pediu pra sair e, veja você, é vítima.  David Luiz, que errou por se desesperar e tentar mais do que podia indo a frente burramente, é um anti-cristo.

Messi é fofo. É gringo. E não acha nada.  Quem não acha nada não nos desagrada.

Mas era isso. “No tiene personalidad…”.  Como disse Diego, o anti-Messi, mas que tinha e tem sobrando.

abs,
RicaPerrone

Comentários