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Nem toda unanimidade é burra

Um dia meu ídolo Nelson Rodrigues disse que “toda unanimidade é burra”. Outro ídolo, o primeiro de todos, provou o contrário. Num confronto entre as fatos e frases, ganham os fatos. Quando os fatos dizem o contrário, ficamos com a frase.

Quando a favor, no entanto, torna-se incontestável, unanime, quase burro.

Zico foi melhor que Maradona. Se não ganhou uma Copa, azar da Copa. Se fez o dobro de gols do argentino, sorte dos fatos.

Na histórica e desesperada fama de pé frio, o Galinho conquistou apenas o dobro de títulos relevantes que o tal “rival de Pelé”, por exemplo.

Nas que conquistou foi, em todas elas, protagonista e decisivo.

Um dia errou, e tenho comigo que o erro foi uma secada involuntária da maior torcida do pais. Ali, se ele faz, o Zico do Flamengo deixa de ser só do Flamengo.

Ciumentos, secaram sem saber. Queriam o herói só pra eles, e tiveram.

Com a fama de pipoqueiro para infiéis que hoje aplaudem jogadores que não fariam metade do esforço que Zico fez para ir a Copa e nem teriam tido a coragem de, contundido, entrar e pedir pra bater o pênalti decisivo, o Galo gera discussões.

Todas vazias.

A razão sobrepõe a paixão e logo o mais animadinho “do contra” concorda com o óbvio.

Zico foi o melhor jogador que o futebol viu depois de Pelé.

Sim, acho isso. E não me importo se você discorda.  Neste caso, se os fatos estiverem contra mim, ignore-os. São irrelevantes diante de tamanha devoção e impressionante patamar de incontestabilidade.

Em qualquer clube se discute o maior ídolo. Se dividem gerações, importância por momentos, jogadores que não foram filmados entram na briga como lendas. No Santos, tem Pelé. E não pode ter mais nada parecido.

No Flamengo, o Zico. E não é uma disputa contra um bando de mortais. É com Junior, Renato, Andrade, Adilio, Leonidas, Dida, Zizinho, Fio Maravilha, entre tanta gente.

Zico faz 60 anos como quem faz um golaço no Maracanã. Tem platéia, aplausos, homenagens, mídia. E ele não joga bola há 20 anos…

Os garotos de 18, que sequer o viram jogar, vão ao clube aplaudi-lo e pela web homenageiam a lenda viva.

Não há nada igual. Não há relação mais forte e nem uma identificação semelhante.

Pelé foi do Santos e de todo mundo. Zico foi só do Flamengo e ali escreveu as mais belas e relevantes páginas do clube.

Clube mais popular do país, e portanto, o jogador que mexeu com a paixão de mais gente em todos os tempos.

O Rei do Maracanã, o Rei do Rio, o craque da melhor das seleções, aquela que não ganhou.

O guerreiro pacato que não agride, nem foge do pau. O maestro que se precisar toca um pandeiro e um tamborim.

Zico é o Flamengo. Popular, querido, único. E o Flamengo tenta ser Zico.  Ético, correto, confiável.

Nelson disse que “toda unanimidade é burra”.

Zico provou que não.

abs,
RicaPerrone