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Nem foguetes, nem bandeiras

Maracanã

O Consórcio Maracanã S/A anunciou nesta quinta-feira a segunda etapa do sepultamento do futebol brasileiro. Em grande estilo, e já com a presença ilustre do atual campeão brasileiro confirmada, os engravatados resolveram falar de negócios e tratar a “arena” deles como casa de shows.

Então, longe do povo, com ingressos caros e um ambiente que seleciona convidados, decretaram:

– Nada de bandeiras com bambus.

– Nada de tirar a camisa.

– Em pé, não! Assista ao jogo sentado.

– Foguetes, nem pensar.

– Pobre? Longe daqui.

Me espanta a cara de pau, a burrice de quem se acha administrador de grandes empresas e que entende ser um baita negócio elitizar o futebol e tira-lo de perto do povão. Até porque, informe-os, é pela venda pra tv, que leva o jogo ao povão, que os clubes se sustentam.

Mas, enfim. Um operário nunca entenderá seu patrão e um administrador nunca vai saber lidar com paixão.

Mas é futebol. E vende-se ilusão,  não um produto real.

As camisas serão resolvidas coletivamente. No primeiro momento de entusiasmo vão tirar e rodar. Não haverá polícia suficiente para mandar colocar.

Foguetes, depois da tragédia da Bolívia, acho difícil.

Em pé, obrigatório. Jogo dificil se assiste em pé, queira o sujeito que está na cadeira de trás ou não.

E essa lei do futebol é irrevogável. Perda de tempo.

A idéia é transformar os metros quadrados mais cariocas do Rio em Londres.  Vão quebrar a cara, pois carioca não toma cerveja quente em Pub, nem acha graça em cobrança de lateral.

Brasileiro faz festa. E se querem acabar com a bagunça, comecem cobrando um preço justo, dando um banheiro digno, uma venda de ingressos onde ninguém seja pisoteado e o site não saia do ar.

Aí, então, podem começar a ditar algumas regras.

Hoje, meros sequestradores de um bem público de valor inestimável, não me parece uma boa estratégia de marketing entrar num ambiente tentando transforma-lo e expulsando os verdadeiros donos dele.

Falei dos foguetes, dos preços, das camisas.

Não falei do Bambu das bandeiras.

João Borba, presidente do Consórcio, disse que “o Bambu não tem onde ficar”.

Eu tenho uma idéia….

abs,
RicaPerrone