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“Não vai subir ninguém!”

Futebol é a alegria do povo. No domingo, num estádio qualquer, você esquece os problemas, a vida, a segunda-feira e se torna um mero pontinho perdido na multidão.  Feliz, fiel, apaixonado, tenso, triste, irritado, cansado, seja como for. Ali, você não é mais você.  E isso faz bem ao ser humano.

Faz ainda melhor se você puder, mesmo não sendo mais “você”, agir como um cidadão normal, de bem, honesto e trabalhador. Aquele que quer tomar uma cerveja, que quer levar os filhos no jogo, que adora erguer a bandeira do seu time, entre outros.

Mas, no Brasil, principalmente em São Paulo, você não pode. Você é bandido, só porque torce por um time.

A bandeira é arma, então não entra.

A bebida pode leva-lo a matar alguém, então não pode.

Fogos, não pode. Porque você pode matar alguém.

Afinal de contas, criminoso como sou, tenho que ser tratado como um sujeito perigoso. Meus filhos são parte da minha gangue, e talvez eu esteja indo lá apenas para agredir alguém.

Daqueles 70 mil, apenas 20 querem fazer besteira. E como a policia não aguenta com 20, ela pune 70 mil.

Como ela é covarde e não tem coragem de punir quem faz besteira, ela impede que as pessoas de bem sejam livres para fazer o normal.

Ela, que solta os caras depois de uns tapas, espera que alguém vá ter noção do que pode ou não num estádio. E como não tem, pois ela não faz o papel dela, quem paga o pato é você, torcedor comum.

Quantas e quantas vezes você já viu um PM fingir que não vê uma briga ou um arrastão do lado dele no estádio? Quantas vezes você viu eles invadirem o lugar que você estava e enfiar a porrada sem saber se você só estava ali ou se estava causando problemas?

E os punidos são os torcedores.

Aqueles que agora tem que ficar na rua bebendo até 10 min antes do jogo para já entrar bebado, já que lá dentro não pode. Na casa noturna, pode. Num show, pode. No jogo, não pode.

Porque torcedor é criminoso, mas quem não faz o seu dever não é.

Porque o João marca briga na internet e a PM ignora, eu não posso ir de camisa no jogo. Por isso, não posso levar minha bandeira. Mas, o João, que bate, agride, ameaça e até mata se duvidar, vai pro jogo escoltado. Eu não. Eu vou pro jogo com medo.

Meu filho vê na TV as torcidas do país todo com bandeiras e festa. Eu tenho que explicar pra ele que porque um dia o João usou o pau da bandeira pra acertar alguém, todos os torcedores do meu time se tornaram bandidos. E agora ninguém pode mais usar.

É mais ou menos como proibir alguém de entrar no shopping com uma chave do carro, já que ela pode ser usada pra machucar alguém.

A estupidez mais clara da relação segurança/consumidor que hoje existe no país.

Então, por exemplo, fiel torcedor que gostaria de retribuir a festa do Maracanã na quarta, você não pode. Você é bandido.

Sua bandeira, aquela que comprou pro seu filho, é arma. Você armou seu filho, segundo a PM.

E nós seguimos pagando as contas, os impostos, seguindo leis, etc.

Não se questiona a “autoridade máxima”, no caso, a PM.

Existe o sujeito que vê futebol de fora e analisa o que ouve dizer. Existe o que vai ao jogo e conhece o ambiente.

Quem já levou porrada de PM por nada e no outro dia viu os caras virarem as costas pra uma briga que machucou um amigo seu sabe do que eu estou falando.

Só existe violência no estádio porque a PM deixa. Se quiser impedir, ela consegue. Mas, é muito arriscado pra eles. Afinal, são pagos para serem protegidos, não para me proteger.

Ganham pouco? Se demitam.

Mas, se ficam, cumpram o que é determinado.

E o basico da coisa é punir os bandidos e proteger as pessoas de bem.

Mas não. Os bandidos são escoltados pro jogo, e eu, você ou qualquer outro que queira apenas tomar uma e fazer festa, somos punidos.

Tá na hora de cobrar. Os torcedores tem direito a tomar cerveja, a usar sua bandeira e o que bem entenderem, desde que usem direito.

E se não usarem, punam os bandidos, não as vítimas.

abs,
RicaPerrone