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Não ao “caldeirão”!

Calma, vascaíno. Eu explico.

Não discordo do argumento “Santos na Vila”, “Palmeiras no Palestra”. São, de fato, exemplos de que o Vasco poderia, em tese jogar clássicos em Sào Januário.

Mas não. Não concordo com essa tese por viver a consequencia dela. E como vocês, cariocas, são a última esperança nacional de entretenimento no futebol, é importante que não pensem apenas no clube.

Em Porto Alegre e em Minas existe clássico de torcida única. É o fim da rivalidade, da diversão e da idéia de que o clássico é a coisa mais divertida do futebol pois envolve seu time e o dos seus amigos próximos.

Em São Paulo não se pode entrar no estádio com papel. São jogos de 90% a 10% na divisão de torcida, o que ajuda em campo, é verdade, mas tem  “a volta”, algo que foi ignorado e hoje todos pagam a conta.

Futebol é muito mais do que 3 pontos domingo. Vocês, cariocas, sabem disso melhor do que todos os outros e por isso ainda mantém uma dose considerável de diversão no futebol. Adesivos em carros, bandeiras nas janelas, andar de camisas nas ruas em dia de jogo, excluindo as organizadas que não tem jeito, são o que são em todo lugar.

Clássico no Rio é num grande estádio, meio a meio, um grande evento. Se você levantar a discussão sobre São Januário, vai ter que levantar as consequencias delas.

– O Vasco vira visitante no Maracanã.
– Os demais clássicos vão partir pra mesma tese e os jogos serão com 10% de torcida visitante.
– Os mais badalados clássicos do país passam de 80 para 20 mil pessoas.

E estes pontos citados são detalhes, acredite.

A maior perda é a troca do entretenimento por competitividade.  Acredite em mim, eu vivo em SP, sei o quanto custou pro futebol essa história.  Os clássicos são jogos comuns,  torcida “em casa”, e portanto não existe mais aquele charme, aquele prazer de ver a torcida rival calada, ou a sua, depende.

Futebol passa bem longe dos 3 pontos de domingo. Isso sim é detalhe. E a única vantagem que o Vasco teria, em tese, em jogar em São Januário seria pressão da torcida.

3 pontos, ok. Afastando famílias, criando um ambiente de terror (pois é isso quando se tem enorme maioria sobre um grande rival na arquibancada), obrigando que o jogo de volta seja para 10% de vascaínos no Maracanã ou Engenhão e tudo isso em troca de que? De 3 pontos?

Isso é parte do que acabou com a diversão no futebol de São Paulo. Não cometam o mesmo erro.

Ir ao Engenhão, ou Maracanã, tanto faz, é  um programa de carioca.  Ir a São Januário é um programa de vascaíno. E na volta, lembre-se, ir ao Maracanã será um programa do rival, fatalmente excluindo o vascaíno.

Se há compensação,  se nem tudo serão flores, porque não manter como é hoje?  O Rio é exemplo pra todos os torcedores do país de como gostaríamos que ainda fossem os clássicos.

Bandeiras, casa cheia, meio a meio, musicas de incentivo e não de ameaças de morte. Mosaicos, fogos… festa!

Só existe isso no Rio. Acabou em SP, Minas e Porto Alegre. Virou uma coisa onde cada partida tem um mandante e um visitante, onde só a competição importa, só os 3 pontos, dane-se todo o resto.

Vocês, cariocas tão bem humorados, divertidos e que adoram o ritual praia-maracanã de domingo, vão mesmo querer acabar com isso em troca de ter pressão de torcida num clássico qualquer? E ainda sabendo que o “benefício” terá consequencias, pois a volta te colocará na condição de visitante também?

Carioca não é visitante no Rio de Janeiro.  O Rio é único, o futebol carioca sobrevive em meio a competitividade exagerada dos demais. Ainda há entretenimento e festa, ainda há brincadeira, ainda é charmoso e não apenas uma guerra.

Querem mesmo acabar com isso? Os 3 pontos do Vasco em casa valem a maior paixão de um povo?

Não tem volta. Se fizer, tire sua bandeira da janela. O futebol virou guerra.

abs,
RicaPerrone