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Melhor; não brilhante

É duro sentar pra escrever sobre o Brasileirão ao final desta rodada.  Você tem tudo pra chover no molhado, pra se contradizer ou pra quebrar a cara daqui a 2 dias.  Eu nunca vi campeonato tão disputado, tão aberto, tão equilibrado e tão, tão, tão… digamos….  sem dono?

Quem ganhar vai ter merecido de alguma forma. A não ser que haja entrega-entrega de novo. Mas faltando 9 rodadas, cadê o futebol de campeão?

Vamos pegar os 7 primeiros, que são os que tem chances, e buscar.

Achou? Nem eu.

Equilibrio não tem nada a ver com qualidade. A Nascar é muito mais equilibrada que a Fórmula 1, até aí…

Nivelado por baixo, diante dos gols que temos, do nível técnico de alguns de nossos jogadores e especialmente do nível internacional do futebol atual, também não dá.

O Avaí é horrível, mas eu aposto o que for que ele goleia o Levante, o Getafe, o Vailladolid e mais uma meia duzia se recebê-los em seu estádio.

Vamos tentar, então, observar a coisa por exclusão.

Dos 7 primeiros, o Flamengo joga um bom futebol? Não. Hoje, joga muito mal. Em seu melhor momento, jogou bem.

O Corinthians, em seu melhor momento, jogou bem. Hoje, alterna.

O Flu e o Inter, que ainda não tiveram uma sequência  avassaladora, merecem a desconfiança que carregam. Perdem jogos impossíveis quando todos juram que “agora vai”.

O São Paulo não teve sequer um momento de alto nível técnico no campeonato. Teve resultados, mas bom futebol, em nenhum momento.

Sobram Vasco e Bota, que deixei pro final de propósito.

Na melhor fase de ambos, indiscutivelmente, apresentaram mais do que os outros.

Os bons jogos do Botafogo foram muito bons. Os do Vasco idem.

Tem um conjunto, uma força e um padrão de jogo que os demais não tem.

Não que eu seja adepto de “padrão” pra determinar méritos. Mas diante do idêntico oscilamento, da dependencia de talentos individuais de todos eles e do futebol pouco interessante de ver, devo ser coerente e dizer que Vasco e Botafogo são os que melhores jogam futebol neste campeonato.

Não voam. E em 9 rodadas podem perder o posto, pois a diferença não é brutal. Mas em 29 jogos, foram mais convincentes em seus momentos de alta e menos assustadores em seus momentos de baixa.

Hoje, na Arena, o Vasco foi um time campeão. Com0 o Botafogo ontem.

E talvez, amanhã, seja o caso do Fla, do Corinthians, do Inter, de quem for.

A questão é que até aqui, entre altos e baixos de todos eles, que não conseguem uma sequência convincente e nem uma contundente pontuação para se dizer “campeão”, estes dois são os melhores.

Esse papo de que “ninguém quer ganhar” é um tanto quanto estranho. Afinal, pode-se dizer, também, que todos querem. Por isso o equilibrio.

O que me intriga mesmo, e não é de hoje, é ver o sétimo brasileirão seguido onde nenhum time mostra um grande futebol. Nem mesmo os campeões.

Será que não é sintomático que a queda brutal do nível técnico seja num mesmo período onde os juniores viram capachos de empresários, onde as bases dos clubes estão vendidas e onde os técnicos tops são os que garantem 1×0 no contra-ataque e não mais os que buscam um algo mais?

É pra se exaltar nosso campeonato. Muito, mas muito melhor que os outros. E é de se registrar a falta do grande futebol no melhor campeonato do mundo.

Eu tenho pena dos outros.

abs,
RicaPerrone