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Macacos e macacos

Quando um corintiano chama um palmeirense de porco em 2014 ele não está falando que o sujeito não toma banho, ou que tem hábitos ruins de higiene. Ele está usando o “apelido” do adversário para mexer com ele.

A imprensa nacional, que não é maioria gaúcha e portanto não sabe como as coisas funcionam por lá, está cometendo um erro que eu mesmo já cometi outro dia.

O “macaco” do Inter é um apelido. É o “gambá”  do Corinthians, o “Urubu” do Flamengo.  Claro, que parte de um rival em tom de provocação e o time adota ou não.

Sim, o começo desse apelido é racista. Mas em 1909 o mundo era racista. O Inter é o Inter, time do povo, porque permitiu negros. O Grêmio é o time da elite, que os proibia.

Isso em 1900. Não faz sentido julgar e analisar um mundo que não existe mais. Na época era assim, os tempos são outros, mas o apelido hoje é usado como forma de tratar o rival e não no tom racista que se viu contra o Aranha na quarta-feira.

É muito bicho no mesmo post, eu sei. Mas tente não se perder.

Quando um gremista canta na música que “macaco imundo” tem um teor totalmente diferente de quando uma pessoa olha pra um negro e diz que ele é macaco.

Acho importante colocar isso para as pessoas que estão julgando o caso e tentando rotular torcidas por uma ou outra atitude.

Existem macacos e macacos neste caso.  De origem igual, mas com sentidos conotações diferentes hoje em dia. Um é imperdoável, o outro, mero apelido. Inclusive adotado pelo clube “ofendido” em questão.

abs,
RicaPerrone

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