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Frederico do Flu

Caro Frederico,

Não sou tricolor. Pelo menos não do “seu” tricolor.  Mas como um doente apaixonado por futebol e inteligente o suficiente pra torcer por ele em meu país, a notícia revelada por você nesta sexta-feira me causou um orgulho que faço questão de compartilhar.

Eu já vi muito jogador fugir de organizada, de imprensa, de críticas, de ambientes de crise. Já vi nego correr de decisão, cansei de acompanhar ídolos fabricados as custas de um bom relacionamento com a imprensa.  Vi muita gente boa sair pela porta dos fundos por não ter peito pra ser o que é.

Quando você peitou as organizadas, eu temi pela sua segurança. Mas achei espetacular sua atitude. Quando nas Confederações, contestado, foi artilheiro decisivo e nos trouxe o título.

Quando na Copa, foi massacrado e virou “o vilão” de uma imprensa que não consegue entender uma derrota e portanto não pode explica-la.

Calado, foi o artilheiro do Brasileirão nos meses seguintes. E após ver o seu clube tomar um duro golpe financeiro, anuncia sua permanência reduzindo cerca de 40% a 50% do salário líquido, e tendo propostas pra sair, pois sei que teve.

Eu não sou idiota de te achar um cara que não liga pra dinheiro. Mas sou capaz de enxergar em você uma reviravolta nessa onda de jogadores covardes que não conseguem dizer nem o se estão com fome sem ligar pro empresário.

Um ídolo entra em divididas. Seja ela com um zagueiro, com a imprensa, com a própria torcida. Mas ídolo não assiste uma dividida sem colocar o pé.

Você foi um raro jogador que soube separar bandido de torcida.  Um caso incomum de quem consegue dizer o que quer dizer e pra quem quer dizer, sem rodeios. Um sujeito diferente, que hoje assinou um documento que o credencia com enorme possibilidades a ser o maior jogador da história do Fluminense.

As pessoas talvez não saibam o que significa seu “sim”. Mas o tricolor angustiado com os prognósticos escrotos de “fim do clube” jogados ao vento não estão enxergando neste “sim” um centroavante. Mas um “cala a boca” pra quem em mais de 100 anos ainda não entendeu o que é o Fluminense e seu real tamanho.

Será um prazer comentar seus gols feitos e perdidos por mais alguns anos.

abs,
RicaPerrone

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