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E se Bolt fosse brasileiro?

Imaginemos, então.  Usain Bolt nascido no Méier, chamado Antonio Batista, recordista mundial dos 100 e 200 metros rasos, fazedor de pose pra fotos e com declarações do tipo: “Eu hoje sou uma lenda. E também sou o maior atleta vivo.”.

Ele é o único que dá a volta no estádio, que sorri pra camera antes da linha de chegada e que sabe, de alguma forma, que vai vencer mesmo antes da corrida

Bolt não seria um ídolo brasileiro.

Poderia ser um grande nome, e seria pelo que faz. Mas ídolo, por aqui, jamais.

Primeiro porque brasileiro gosta de coitadinho. Se o Antonio não lembrar toda semana na imprensa que passou fome esquecem dele em 1 mes e só lembram na próxima medalha.  Depois disso, jamais aceitariam um vencedor, rico, que sai na noite e leva garotas pro quarto.

Hoje cedo estariamos vendo a ESPN, a Al-Qaeda do esporte, condenando não apenas a arrogância mas também o fato de ter usado a vila olímpica para sua satisfação pessoal. E ainda deu 100 euros pra moça!?  Machista! Materializando a mulher brasileira, e blá, blá, blá….

Os jornais esqueceriam os recordes e na capa da Folha estariam questionando se os não recordes mundiais dessa olimpíada indicariam uma decadência de Bolt, ops, Antônio.

E por fim, nos negaríamos a aceitar que ele tem personalidade suficiente para se divertir com o que faz, brincar com repórter, fazer marketing com a torcida, capitalizar tudo isso e não seguir a cartilha brazuca de bons modos que exige de todo ídolo um Kaká.

Antônio talvez não tivesse sequer chegado a essa olimpíada com o status que chegou Bolt. Simplesmente porque ninguém no Brasil patrocina quem tem personalidade e foge do basicão.  Porque vivemos num país quadrado, que leva rede social a sério e que repudia o ser humano quando ele deixa de ser um robô.

Bolt é jamaicano. E por isso adoramos tudo que ele faz. Neymar é brasileiro, e toda vez que andar de Ferrari ou agir com naturalidade, será rotulado como “marrendo”, “babaca”, “mimado”,  “quem ele pensa que é?”.

Isso explica muito mais do que nossos desempenhos esportivos. Mas talvez retrate uma vontade terrível de querer catequizar nossos ídolos.

abs,
RicaPerrone

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