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É foda, Neymar….

Aê, moleque! Sábado deve ter sido um dos dias mais fantásticos da sua vida. Só não digo que “te invejo” nessa porque nunca tive tempo pra pensar em ser jogador, mas se fosse, adoraria ter vivido o que você viveu em Minas.

Dizem, desde então, que “não foi bem assim”, mas sabe qual é, né? Se disserem que foi, morre o argumento de “só o povo europeu aplaudiria um rival por talento”, “como o europeu é civilizado”, entre outras babaquices que repetimos desde sempre.

Foi assim, sim!

Causado pela derrota do time dos caras, é óbvio. Se estivesse 2×2 não iam lembrar de te aplaudir, mas sim de empurrar. O que não tira em 1% o impressionante resultado do seu carisma, talento, postura e personalidade.

Eles querem que você seja o Messi, moleque. E eu me amarro por você não ser.  Teu cabelo me diverte, conheço sua voz, o que você pensa e o que gosta de fazer. Não sei nada sobre o argentino, portanto, prefiro você, original, autentico, cheio de marra e sem um manual de conduta “agrado a todos” pra seguir.

Quando você grava comercial na terça e arrebenta na quarta os caras ficam malucos. Como vão defender a tal tese de que o Messi só é craque porque acorda cedo e dorme de meia? Parece até que estes jornalistas não se lembram do Renato, do Romário e tantos outros gênios de cá.

Te comparam, não porque querem te igualar ao melhor do mundo. Mas porque querem lembra-lo, sempre que possível, que você “ainda não é”, mas fazem enorme questão de esquecer disso quando citam o argentino na mesma frase do Pelé.

Pesos, medidas, bla bla bla.

E você aí, provando o improvável. Ganhando mais aqui do que se estivesse lá, mantendo o alto nível sem deixar a mulherada, a balada e as propagandas. Não mudou o cabelo quando contestado, usa a chuteira da cor que bem entende e o carro que quiser comprar.

Se diverte, nos diverte, não pede permissão, simplesmente faz.

E quando uma reação natural o exalta, logo surgem os abutres para tentar diminuir o feito.

Quando em Madrid, um dia, você destruir a defesa do Getafe e a torcida local aplaudi-lo, dirão que foi uma bela e digna atitude de um povo educado e inteligente. Aqui, dizem que a torcida do Cruzeiro fez pra “zoar”.

Porque na real, irmão, essa atitude se torna uma “zoeira” memorável no meio da testa dos que pregam que aqui não pode, que aqui você não pode, que é preciso ir lá buscar o ouro.

Conselho de gente normal só interessa a gente normal. Você não é normal, convenhamos.

Querem que você corra lá pra buscar euros, quando não notaram ainda que você é tão diferente que está fazendo os euros virem atrás de você.

Diziam que a grana aqui nunca se compararia a de lá. E lá está o moleque, num time de torcida não tão gigante assim, ganhando mais que muito craque badalado de lá.

Dizem que aqui a FIFA nunca vai te ver. E lá vai você, de novo, pra eleição de melhor do mundo.

Falam muita merda, todo santo dia. E isso sim, Neymar, não vai mudar.

Talvez você mude a história do futebol, mas não vai mudar o bla bla bla que cerca seu brilhantismo.

Só você sabe o que sentiu no sábado. E pro resto da vida, nenhum dos que te julgam saberão o que é ser aplaudido por quem “não é nada seu”.

Acostume-se. Até pra isso tem que ser diferente, moleque.

Correr pra Europa e passar 3 meses sem nem dar entrevista e sem concentrar pra bater em bebado todo domingo é caminho comum. Ficar e fazer por onde numa nova trilha ainda a ser explorada é pra poucos.

É foda, Neymar.  Você e o que você ouve.

É foda fazer sucesso quando tem muito medíocre pra julgar.

abs,
RicaPerrone