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Deixa a gente voltar

O que você viu hoje no aeroporto, dirigente, é apenas o que você excluiu do estádio com o tempo.

A gente quer levar fogos. A gente gosta de sentir o cheiro da decisão e ela vem do sinalizador.

A gente gosta de batuque, não de mosaico.

Não temos medo da violência nos estádios mais do que temos desgosto em ir até lá como se fosse um teatro.

A gente faz na rua porque podemos pagar.

Fidelização é importante, e entendemos e respeitamos os preços para atrair o sócio torcedor. Mas achamos importante lembrar que só se torna sócio quem é torcedor. E é dentro do estádio que o fã se faz torcedor.

A gente quer geral.

A gente gostava da rede que não devolvia a bola pro atacante. A gente gosta do goleiro empurrando a rede com uma mão e buscando a bola com a outra. É humilhante, glorioso.

A gente entende a modernidade, mas vocês não entendem a gente. Talvez porque faz tempo que sairam daqui, talvez porque já foram consumidos pelo resultado do borderô.

Mas a gente só quer saber que temos algo “nosso” aos domingos e só é nosso se qualquer um de nós puder estar perto.

As mais memoráveis festas de torcida do Rio de Janeiro recente foram no aeroporto, não no Maracanã.

Porque?

Porque a gente gosta assim. Com bandeira, fogos, sem camisa, sinalizador, no perrengue, no alambrado, empurrando e passando sede.

Quem gosta de conforto é cliente. Eu sou torcedor.  E se você não sabe a diferença entre os dois, talvez explique muito pivete de camisa do Manchester City pelas ruas.

abs,
RicaPerrone