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Criaram o monstro

Quando o Santos ofereceu a renovação ao Neymar o discurso pra convencê-lo era de que, desde Senna, o Brasil não tinha ídolos. E que se ele ficasse e jogasse tanto quanto vinha jogando, fatalmente assumiria o posto deixado pelo piloto de F-1. Ele engoliu, renovou, e aí está o resultado.

Neymar não será Pelé, nem Zico, nem Garrincha e menos ainda Senna. Será, no máximo, Neymar.  Só que na ansiedade de criar um ídolo, de vender um craque, de achar um “novo alguma coisa”, Santos, torcida e imprensa criaram um monstro.

Outro dia ele foi na TV dizer que era humilde, bom menino. Eu juro que entendo o lado do moleque. São 18 anos, uma vida de rei da noite pro dia, não tem como não dar uma surtada.

O que eu não entendo é a postura do Santos, dirigido por alguém com mais de 18, se não me engano.

Eu também sou totalmente contra afastar jogador. Quem se pune é o clube. Acho que tem que meter no bolso do cara e só. Quanto pior aprontar, mais pobre fica.

O Dorival pediu afastamento. A diretoria deu. E pediu porque o Neymar não respeitou a hierarquia do clube. Se a diretoria combinou com Dorival que ele jogava quarta e o técnico disse a imprensa que não, Dorival também desrespeitou o combinado com a diretoria.

A questão, portanto, fica simples: Neymar pode desacatar o treinador que, por sua vez, não pode tomar as decisões que lhe cabem sobre seu elenco.

Ou seja, no Santos o jogador que for muito talentoso ou estiver fazendo gols pode tudo. Está dado o recado a todos os jogadores. Fazendo gol, tá tudo liberado.

A questão vai além do que a gente olha e julga de fora. O Dorival foi claro: “Ou é como eu quero, ou estou fora”.

O Santos tem o direito de dizer: “Não é como você quer”.  Só que pensando no clube, é melhor você deixar quem ficou achando que manda em tudo ou quem saiu?

Agora tem um monstrinho lá dentro. O moleque que manda o técnico tomar naquele lugar, xinga o capitão do time, fica lá, joga o clássico e derruba o treinador.

Quem pode parar o Neymar?

Zagueiros não podem, treinadores não podem e agora nem o clube pode.

abs,
RicaPerrone