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Craques

torcida Para alguns, correr muito faz de um jogador CRAQUE. Para outros, fazer gols determina quem é ou não. Outros, mais exigentes e menos coerentes acham que o termo craque só cabe a quem “ganhou alguma coisa”, como se não houvessem outros 10 pra determinar isso.

Muitos acham que craque é aquele que destoa. Mas destoa aonde? Como? De quem? Craque é só quem resolve? Quem faz gols em finais? Obina, então, já foi craque? Gabiru? Não…

Craque é um produto em falta no mercado. É aquele sujeito que soma qualidades técnicas e mentais a mais que a maioria.

Craque não olha pro chão quando corre.

Craque não mata a bola olhando pra ela.

Craque não ajeita a bola com os pés. Faz isso com o corpo.

Craque olha o lance antes da bola chegar.

Craque não some em jogo importante. Pelo contrário, pede a bola.

Craque tem um talento técnico acima da média. Não fundamentos apurados apenas.

Craque não corre. Quem corre é a bola. Ele só faz ela correr.

Craque não perde a cabeça a toa.

Craque não tem um drible só no repertorio.

Craque, de frente pro gol, não fecha os olhos pra chutar.

Craque não tem medo da imprensa.

Craque encosta na bola olhando pro companheiro ou pro gol. Nunca pro zagueiro que o marca.

Craque está sempre de lado para a defesa adversaria, assim usa o corpo pra determinar o seguimento da jogada, não exatamente a bola.

Craque não domina a bola olhando pra ela. Se o fizer, o zagueiro chega.

Craque não pipoca.

Craque, no Brasil, são poucos. Fora, alguns.

Ronaldo é craque. Zico era craque. Raí era craque.

Malabarista não é craque.

Jogador tático não é craque.

No Real Madrid, como aconteceu com Zidane ao aprimorar sua parte técnica, Kaká se tornará craque. Lá, sua técnica vai valer mais do que a função tática e correria. Vai aprender a usar TECNICA mais do que fundamentos. (Não que o Zidane ja nao fosse craque antes disso)

Robinho e Denilson tem tudo pra ser craques. Mas não estão muito afim.

Ronaldinho Gaucho é craque. Mas, lhe faltam alguns dos atributos.

Craque não precisa ter todos estes adjetivos no seu curriculo. Precisa ter a maioria.

Perfeito, nem Pelé.

Hoje, em dia de decisões, ficou claro o quanto estamos sentindo falta disso.

E é culpa dos treinadores e da imprensa. Que pedem resultados, correria, marcação e não mais futebol. Cobramos o que não queremos. Interessa o brucutu, não o talentoso.

Quantos jogadores nesta quarta-feira conseguiram receber uma bola e ajeitar a jogada seguinte num movimento de corpo? Dois? No máximo…

Quantos param a bola olhando pra frente?

“Ele é bom, mas não volta pra marcar”, dizem alguns treinadores.

Foda-se, eu diria.

Nosso futebol está sendo criminosamente sufocado por teorias de marcação e exigencias de torcedores e jornalistas de almanaque.

Almanaque é onde fica o resultado, não a história.

A seleção Brasileira, hoje, tem uns 2 aspirantes a craque e um semi-craque. Quem diria? Nossa seleção não tem um craque.

Salvem isso enquanto é tempo. Se é que ainda dá tempo…

abs,
RicaPerrone