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Covardia ou tendência?

Devo registrar que acho a palavra “tendência” no futebol, assim como na “moda”, uma viadagem sem fim.  Num dos casos, se confirma. No outro, por tradição, ainda não.

Treinadores de futebol são tratados como gênios hoje em dia, e nem sempre são. Desconfio que um sujeito que não consiga falar “drible” após 30 anos de futebol não seja alguém tão genial assim.  Desconfio também do real poder de decidir uma partida de quase todos eles já que, no fundo, são quase todos iguais.

Mudam o jeito de treinar, de conduzir e as vezes o perfil de gerenciar um time em busca de algo mais. Mas taticamente, convenhamos, é assustador como “seguem tendências”.

Alguém me explica aí: O que tem nesse 433 moderno de tão sobrenatural para ser adotado sem contestação por todos os treinadores do país?

Me explica porque o Thiago Neves joga aberto no Flu se ele rende mais vindo atrás dos atacantes? Porque o Sheik joga aberto no Corinthians se sempre rendeu mais centralizado?

Porque mesmo sem ter 2 atacantes abertos o Flamengo passou meses jogando nesse sistema improvisando Deus e o mundo?

E o Ney Franco? Sem Lucas, tendo Jadson e Ganso, não tem coragem de jogar com 2 meias e 2 atacantes porque a tendência o obriga a ter 2 abertos e por isso improvisa o Aloisio de ponta? Ou seria meramente uma coincidencia tática nacional todos os treinadores estarem presos a mesma idéia de jogo vinda do Barcelona desde a época do Giuly, Etoo e Ronaldinho?

Ao menos me explique porque um meia e dois volantes sendo que na verdade os nossos “pontas” são importados da europa e não estão ali pra jogar ofensivamente mas sim para marcar lateral adversário e cruzar na área?

Somos tão “quadrados” e baba ovo de gringo que não conseguimos sequer sair da discussão tola e vazia dos números. 442, 433, 352, como se isso determinasse a ofensividade de um time em campo.

Para alguns, significa. E é de se lamentar.

Qualé o problema de ter 3 zagueiros se for em troca de ganhar 2 pontas? Que mal há em ter 3 caras atrás se isso te der mais opção na frente? Desde quando o número de jogadores por setor determina a sua vontade de ganhar o jogo?

Esse 352 acima te parece menos ofensivo que o aclamado 433 do Barcelona copiado por todos aqui?

Treinador bom monta um time com o que tem. Treinador petulante monta o esquema e manda o clube preencher as vagas.

E treinador brasileiro, ultimamente, faz o que os europeus fazem em busca de um elogio involuntário e as vezes mudo de quem analisa futebol.

Esquema tático, e aprendi isso fazendo 2 cursos pra técnico, além de ter tido a oportunidade de ser auxiliar de um campeão do mundo como “estágio”, não diz respeito a forma que o time atua, mas sim a forma com que ele se posta.

A movimentação deste esquema determina todo o resto. Há 352 ofensivo, há 433 defensivo. Depende das peças, do quanto o sujeito está disposto a armar um time ou do quanto o time tem que se moldar ao esquema sugerido pelo treinador.

Olhe para os principais times do Brasil, tente não encontrar o desesperado movimento tático para ser “igual o Barcelona” em algum deles. Verá no Flu, no Corinthians, no Flamengo, no SPFC…. E nos que não usam, note, já tentaram usar.

É mais covarde o que imita algo com medo de criar ou o que segue tendências para não ser chamado de ultrapassado?

Que 433 é esse que marca laterais e anula a criação pelo meio? Que ousadia é essa que prioriza o contra-ataque, faz dos volantes os novos camisas 10 do futebol brasileiro e vive de um drible na linha de fundo e cruzamento?

Será acaso que Mineiro, Josué, Hernanes, Elias, Paulinho, Ibson, Arouca entre tantos outros tenham sido os destaques do nosso futebol nos últimos anos? Ou será que fizemos de volantes armadores para “copiar” o sistema consagrado por europeus e exaltado por jornalistas brasileiros?

Quem é o covarde? O que copia ou o que “evolui” para inglês ver?

abs,
RicaPerrone