Archive for Carnaval
O maior espetáculo da terra
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Como sempre, fui à Sapucaí! Num bate-volta daqueles puxados, de deixar o pé dolorido, o rosto queimado e o sorriso estampado. Sai de Sampa as 14h, voltei as 9h do outro dia. Avião, aeroporto, fila, sol na cara, sufoco pra ir buscar uma água, mas tá valendo. Fiquei no meu lugarzinho de sempre, do lado do recuo, primeirão no “alambrado”.
A turminha de sempre ali conosco, aquela euforia pelo desfile, o respeito enorme entre os torcedores de cada escola e uma noite, como sempre, pra lá de inesquecível.
Vem a Mocidade. Minha escola, minha paixão. Fiquei quase mudo de medo. Assisti até ter certeza que não era, como em 2009, um desfile pra “não cair”. Era um desfile mediano, mas era “a Mocidade!”. Que orgulho!!! A Sapucai toda em pé, cantando, aplaudindo a minha escola.
No final aquele “parabens” dos colegas do lado enchem a gente de orgulho. Foi lindo! Mesmo que não dê pra voltar sábado… foi lindo!
Vem a Porto da Pedra, ótima, com erros técnicos. Vem a Portela, e achei confusa, apesar de luxuosa. A Grande Rio, um show. A Vila, decepcionando. A Mangueira, encerrando e mexendo com a torcida.
O dia anterior foi pela TV, mas…
O que fez a Tijuca e o brilhante Paulo Barros é qualquer coisa de indiscutível. Caneco neles, se não vier é injusto.
Acho que cai a Viradouro, que fez um desfile pífio perto do altíssimo nível apresentado pelas escolas do RJ este ano.
Acho que ganha a Tijuca, e voltam sábado: Grande Rio, Mangueira, Salgueiro, Beija-Flor e… posso sonhar? Mocidade! rsss
Como sempre, bem recebido ao extremo pelos cariocas, sem perigo algum, sem nada demais.
Parabens a todas as escolas do Rio! A Liesa (que inventou um absurdo negocio de ferro em cima da bateria) e ao povo carioca, que curtiu tudo sem briga, sem problemas e com muito respeito entre as escolas.
Até 2011!
E salve a Mocidade!
abs,
RicaPerrone
As escolas, as torcidas
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Carnaval, pra muitos, é um bando de gente tocando samba e se fantasiando. Para quem conhece escola de samba, é uma demonstração artistica e cultural, um show, um momento de união, paixão e respeito único, onde o pobre vira centro das atenções e o rico aplaude em pé aquilo que não consegue entender como é feito.
Um exemplo raro de paixão e respeito, onde as “co-irmãs” disputam não apenas um título, mas também um lugar na história. Quantos e quantos desfiles ficaram marcados sem um título? Isso é carnaval. Mas, para a LIGA de SP, é outra coisa.
A Globo não sabia o que fazer para paulista gostar de escola de samba. Apelou pra futebol, aceitou jogar em cima do Corinthians o ibope disso tudo. Tremendo engano, que as próprias escolas tinham que ter vetado no começo.
Nao por ser o Corinthians, nem a Gaviões. Mas por ser futebol.
No futebol, principalmente em São Paulo, só importa o resultado. E carnaval não é isso.
Aqui, o time rival é inimigo, nao rival. Logo, isso não cabe no samba.
Escola de samba é a Vai-Vai, a Camisa, a Rosas, e tantas outras. Torcida é torcida, escola é escola.
Dá pra uma torcida virar escola? Dá.
Dá pra 3,900 componentes irem a um jogo cantar? Óbvio que dá.
O problema é o que tem dentro da cabeça e do coração de quem faz isso.
O sambista ama o samba. O torcedor ama o time, não o esporte.
A Mancha é a resposta natural ao que fez a Gaviões, com ótimos desfiles, diga-se.
A Dragões será a terceira resposta natural a tudo isso.
E as mortes, as brigas e o fim do carnaval paulistano, que sequer saiu da fralda, é outro caminho natural se continuarem com essa merda, com todo respeito.
E quando digo que não saiu da fralda, não me refiro ao pandeiro, ao tamborim e as alegorias. Me refiro a conseguir o envolvimento REAL da cidade com o samba, com as escolas e o desfile. Não existe ainda, e focando em futebol não existirá jamais.
Eu não quero ser sãopaulino no carnaval. Quero ser Mocidade. E foda-se se ela é verde, amarela ou preta. Eu tenho uma “comunidade”, ou um simples gosto por algo que me identifique. E jamais passa pela minha cabeça, porque o carnaval proibe que assim seja, odiar ou querer agredir o meu amigo torcedor de outra escola.
O futebol, infelizmente, permite.
E focar o carnaval numa disputa futebolistica é uma burrice sem tamanho.
É buscar uma medida emergencial em troca de atenção. Mas que não resolve o problema.
Você apela ao Corinthians, terá retorno, óbvio. Apela ao Palmeiras, idem. Mas, não precisa apelar a nada.
O carnaval é lindo e relevante por si só, não precisa disso.
Se soubessem se comportar, seria apenas um complemento. Mas, não sabem. A mentalidade é outra. E assim sendo, fica o carnaval do Rio de Janeiro eterno e o de SP mantido pelo futebol, até o dia que o castelinho de cera cair no chão.
Espero que a LIGA tenha vergonha na cara e expulse a Gaviões da Fiel do carnaval. Pois quem atira mesa na torcida adversária ou nos proprios jurados tem que ser expulso, aliás, como no futebol.
Se partisse da torcida, vá lá. Mas dos comandantes? É o fim.
E entendo por LIGA algo onde um grupo de participantes se junta para tomar medidas. Assim sendo, cabe as escolas de samba de SP simplesmente expulsarem as torcidas de sua LIGA. Assim, mostrarão ao paulistano que carnaval é gostoso por ser carnaval, não porque você torce, ganha ou perde.
E por favor, sem viadagem… não foi “A GAVIOES”. Se fosse a Mancha, a Independente ou a torcida lá do Ibis a chance de acontecer o mesmo era enorme. Torcida é torcida, e organizada, pior ainda. Não tem controle algum.
Parabéns pra Rosas de Ouro, ESCOLA DE SAMBA de primeira linha. E que paga o preço de ser uma das que assina a autorização dessa palhaçada em troca de Ibope.
Infelizmente, ou não, a campeã do carnaval sai na quarta.
Sabe porque?
Porque carnaval tem apuração na quarta. Pegou?
abs,
RicaPerrone
Matéria sobre a Mocidade
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A Globo fez uma matéria com a velha guarda contando a história da minha querida Mocidade. De onde vem o nome, a estrela e outras particularidades da estrela de Padre Miguel.
Vale a pena ver. Goste de samba ou não. Aliás, se não gosta, azar seu. rs
Sambas 2010 – Carnaval RJ
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Os sambas estão gravados e prontos. O Cd do carnaval 2010 chegou por volta do dia 28 nas lojas. Mas, por enquanto, já pode ir ouvindo os sambas aqui no blog. Bom, como não sei de leis desse tipo, não colocarei pra download. Só pra ouvir mesmo, pois ai acho que pode né? Afinal, rádio pode. rs
Enfim, ouça os sambas do carnaval 2010 do Rio de Janeiro! Com destaque pra Mocidade! Porque é melhor? Não, porque é a escola do blogueiro mesmo… rs
Ah, a gravação foi feita ao vivo na Cidade do Samba, por isso esse tom de ao vivo e não de CD de estúdio.
Nossa Ilha querida, a segunda escola de todos, fala sobre “Dom Quixote de La Mancha, o Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis”. O samba foi uma fusão entre dois finalistas, e ficou bacana.
A Imperatriz vem pra arrebentar. Fala de religião, e o samba é uma verdadeira obra de arte.
A Tijuca tem um enredo interessante. Se chama “É segredo”, e dizem que o desfile da escola está bem encaixado no enredo, ou seja, é segredo. Carros que ninguém verá antes do dia, etc. O samba é bacana, mas nada especial.
A Viradouro fala do México, enrendo patrocinado. O samba é bom… Wander Pires é a novidade da escola, e arrebenta no samba.
O Salgueiro fala sobre os livros, com um enredo “Historia sem fim”. O tema é ótimo, o samba é bom, mas também nada especial. O Quinho conserta na avenida.
A Beija-Flor fala de Brasília, também patrocinado. O samba, incrivelmente, não tem Oxala, Ogum, Oye, Oyaya, etc. Até porque, Brasilia não ajuda muito. Letra linda, melodia perfeita, mas o samba não empolga. Bom, desde quando a beija-flor empolga alguem? É o SPFC do carnaval carioca. Ganha, mas não dá show pra torcida.
E aí vem ela! A Mocidade Independente de Padre Miguel, minha querida e amada escola. Depois de carnavais fracos e sambas mediocres, esse ano a escola encaixou, ao menos, um samba pra cima e interessante. Eu adorei! O enredo é “Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura”. Aqueles enredos abstratos que o jurado normalmente ferra por ter interpretado diferente do carnavalesco… Mas, ta valendo.
A Porto da Pedra tem um enredo bacana. “Com que roupa… Eu vou? Pro samba que você me convidou”, falando de moda, roupas, etc. O samba é legal também.
A Portela… bom, a Portela fala sobre ‘Derrubando fronteiras, conquistando a liberdade, o Rio de paz em estado de graça’. O samba é do Diogo Nogueira, mas eu não gostei não.
A Grande Rio fala sobre o Camarote da Brhama. Puta tema besta na minha opinião. Mas… é a G. Rio ne? Desfilei la em 2000, adoro a escola, fui muito bem recebido, mas… não gostei do tema. O samba é médio também.
Na Vila, o tema é Noel! O samba é de Martinho, e como ele gosta, não tem refrão. Acho o samba diferente, mas não pega. Ouça e diga se gosta.
E por fim a Mangueira, que fala sobre a música brasileira. Sambão responsa! Promete.
Por enquanto é isso! Sambas definidos, e agora é ensaiar até fevereiro.
Divirtam-se com o resumão e escolham o melhor samba. Pra mim, Viradouro, Mangueira, Imperatriz e Mocidade estão muito bons. Gostei da Ilha tb.
abs,
RicaPerrone
Carnaval 2010 – Os sambas e enredos
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Com todas as escolas devidamente definidas com enredos, sambas e fantasias, o carnaval 2010 já tem cara. E promete ser boa. Sambas de alto nivel em algumas escolas, sambas comuns em outras. A volta da Ilha, que faz samba como ninguém, e a queda da Serrinha, que tem história e tradiçao.
Confira a ordem dos desfiles, os temas, os sambas vencedores e as favoritas ao carnaval 2010.
Vamos começar pela ordem dos desfiles.
Domingo, dia 14/2, tem Ilha, Imperatriz, Tijuca, Viradouro, Salgueiro e Beija-Flor.
Na segunda, dia 15, tem Mocidade, Porto da Pedra, Portela, Grande Rio, Vila Isabel e Mangueira.
Bem distribuidos os dois dias, ao meu ver. Mas, domingo está mais promissor ja que beija-flor e salgueiro, em tese, disputam o titulo com certeza. Assim como a Imperatriz, que tem o mais belo samba do ano.
Falando em samba, vamos a eles.
Nossa Ilha querida, a segunda escola de todos, fala sobre “Dom Quixote de La Mancha, o Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis”. O samba foi uma fusão entre dois finalistas, e ficou bacana. Confira!
A Imperatriz vem pra arrebentar. Fala de religião, e o samba é uma verdadeira obra de arte. Ouça aqui!
Lembrando aos menos avisados que os sambas são ainda versões amadoras. A gravação em estudio com o puxador oficial da escola acontece no meio de novembro, e o cd sai em dezembro, lá pro dia 10.
A Tijuca tem um enredo interessante. Se chama “É segredo”, e dizem que o desfile da escola está bem encaixado no enredo, ou seja, é segredo. Carros que ninguém verá antes do dia, etc. O samba é bacana, mas nada especial. Ouça!
A Viradouro fala do México, enrendo patrocinado. O samba é razoável… Wander Pires é a novidade da escola. Ouça!
O Salgueiro fala sobre os livros, com um enredo “Historia sem fim”. O tema é ótimo, o samba é bom, mas também nada especial. O Quinho conserta na avenida. Ouça!
A Beija-Flor fala de Brasília, também patrocinado. O samba, incrivelmente, não tem Oxala, Ogum, Oye, Oyaya, etc. Até porque, Brasilia não ajuda muito. Letra linda, melodia perfeita, mas o samba não empolga. Bom, desde quando a beija-flor empolga alguem? É o SPFC do carnaval carioca. Ganha, mas não dá show pra torcida. Ouça ai o samba!
E aí vem ela! A Mocidade Independente de Padre Miguel, minha querida e amada escola. Depois de carnavais fracos e sambas mediocres, esse ano a escola encaixou, ao menos, um samba pra cima e interessante. Eu adorei! O enredo é”Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura”. Aqueles enredos abstratos que o jurado normalmente ferra por ter interpretado diferente do carnavalesco… Mas, ta valendo. Ouça o sambão de Padre Miguel!
A Porto da Pedra tem um enredo bacana. “Com que roupa… Eu vou? Pro samba que você me convidou”, falando de moda, roupas, etc. O samba é legal também. Ouça!
A Portela… bom, a Portela fala sobre ‘Derrubando fronteiras, conquistando a liberdade, o Rio de paz em estado de graça’. O samba é do Diogo Nogueira, mas eu não gostei não. Ouça!
A Grande Rio fala sobre o Camarote da Brhama. Puta tema besta na minha opinião. Mas… é a G. Rio ne? Desfilei la em 2000, adoro a escola, fui muito bem recebido, mas… não gostei do tema. O samba é médio também. Ouça!
Na Vila, o tema é Noel! O samba é de Martinho, e como ele gosta, não tem refrão. Acho o samba diferente, mas não pega. Ouça e diga se gosta.
E por fim a Mangueira, que fala sobre a música brasileira. Sambão responsa! Promete. Ouça!
Por enquanto é isso! Sambas definidos, e agora é ensaiar até fevereiro.
Divirtam-se com o resumão e escolham o melhor samba. Pra mim, Imperatriz e depois Mocidade.
abs,
RicaPerrone
Sou Mocidade, sou Padre Miguel!!!
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Enfim, um sambão!!! Minha Mocidade querida escolheu seu samba para 2010 e acertou em cheio! Tem estrela, tem o nome da escola, tem o nome da comunidade e vai ter titulo!!!! Adorei, já decorei, torci muito e não aguento mais esperar o dia do desfile!
VAI MOCIDADE!!! Ouve o samba aí, povo! E viva a verde e branco de padre miguel!
Compositores: J. Giovanni, Zé Glória e Hugo Reis
Eu voltei
Meu Éden paraíso de verdade
Serpente chega pra lá
Hoje eu quero é sambar com a Mocidade
O mal que você me causou
Pra que me infernizar
Chega de guerra e miséria
Sem trégua, nem légua
A idade média vai me coroar
Você sabe de onde eu venho
Pra onde eu vou, o que eu quero conquistar
Que o navegante cobiçou
E o índio me levou ao Eldorado de além-mar
Tudo o que eu puder sonhar
Vou realizar agora e sempre
E se tentar me taxar
Mando depositar em outro continente
Do Éden ao paraíso da loucura
Ninguém sabe quanto é o que se procura
Hoje o povo quer felicidade
No paraíso da igualdade e liberdade
Estrela faz o meu sonho mais real
Sacode a Sapucaí
É carnaval
Meu coração vai disparar, sair pela boca
Não dá pra segurar, paixão muito louca
Luz independente me leva pro céu
Sou Mocidade sou Padre Miguel
Te amo, Mocidade!!!
abs,
RicaPerrone
Sinopse de Padre Miguel
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Enredo: “Do paraíso de Deus ao paraíso da loucura, cada um sabe o que procura”.
O Paraíso é a imagem primeira.
Uma imagem da fartura e da felicidade; um sagrado jardim onde Deus semeou a fecundidade numa divina evocação da vida; um abençoado recanto sem doenças, sem inverno e sem envelhecimento, transmitindo uma mensagem simbólica e alegórica de paz e harmonia.
A nostalgia deste estado de graça, arrancado em conseqüência de uma grave desobediência às leis do Criador, faz despertar no homem, desde tempos imemoriais, o desejo de encontrar o Paraíso perdido.
Na Idade Média, alimentada por uma cruel realidade de fomes, epidemias e guerras devastadoras, essa nostalgia fez do Paraíso a própria antítese daquela realidade decadente e sombria; um “novo” começo onde a pobreza e a fome acabariam diante de uma terra “sem males”.
Enquanto profetas e visionários desejavam “ver” o paraíso, cavaleiros e aventureiros se juntavam em fantásticas caravanas e partiam por terra em busca da “Fonte da Juventude Eterna e da Árvore da Vida”.
Porém, novos ventos sopravam em direção ao “Velho Continente”. O pavor que o “inferno” e a crença na proximidade do “Fim dos tempos” provocavam ia ficando para trás diante de uma Europa entusiasmada com os renovados horizontes renascentistas.
Os oceanos já não causavam tanto temor e, navegando rumo ao Oriente, poder-se-ia chegar às Índias, com seus mistérios e magia. Ainda, quem sabe, desembarcar nas fabulosas terras de Ofir, guardiãs das Minas do Rei Salomão, ou até mesmo encontrar o suntuoso Reino Africano de Preste João e, assim, localizar os “Portais do Paraíso”.
Foi navegando em direção às Índias que, em 1500, treze naus portuguesas “esbarraram” no Brasil.
Nas areias da praia, o nativo dançava em alegre ritual. Guiados pelos Xamãs, os donos da terra migraram do interior para o litoral em busca de “Yvy Mara Ey”, a “Terra dos Sem Males”, o paraíso Tupi-guarani, e que, na visão dos pajés, estaria do outro lado da imensidão das águas.
Em sua pureza e ingenuidade, o índio viu naquela gente que saía do mar verdadeiros Deuses que, finalmente, o conduziriam aos “Jardins Purificados”.
Já os navegadores, deslumbrados com a nudez e a aparente inocência dos nativos, viram neles a própria imagem do homem antes de ser expulso do Paraíso, materializando na América a visão renascentista do Éden terrestre.
Afinal, as sugestões edênicas estavam por toda parte e faziam uma mágica ligação entre o “Velho” e o “Novo” Mundo. Dessa maneira, o maracujá se transforma em pomo edênico, assim como as bananas cortadas exibiam aquele sinal à maneira de crucifixo por elas manifesto.
A Fênix é o Guainumbi ou Guaraciaba; outros acreditavam mesmo tê-la visto na figura do beija-flor, enquanto os papagaios, para muitos, eram, na verdade, anjos castigados que ganharam a forma de pássaros.
Mas os boatos sobre cidades bordadas de ouro e pedras preciosas, as notícias de montanhas resplandecentes e lagoas douradas, comuns entre os indígenas, rapidamente levaram o invasor europeu a embrenhar-se pelos sertões desconhecidos, maculando o “Paraíso Brasil”.
E, assim, os índios dançaram e o Brasil sambou!
O que de bom encontrava-se aqui foi parar na Europa. Animais, plantas e até mesmo “exemplares” do nosso “bom selvagem” foram “exportados”, causando enorme rebuliço do outro lado do Atlântico.
Enquanto, do lado de cá, o povo sofria com a “Derrama” – um verdadeiro “Quinto” dos infernos – no lado de lá, as farras das Cortes de Portugal e Inglaterra eram bancadas com o ouro do Brasil. O jeito era rezar uma novena para o “santo do pau oco”!
O tempo passou, mas continuamos cortando o pau, matando os bichos, vendendo as plantas, envenenando as águas, queimando os índios e mandando pra longe nossas riquezas!
Calculistas e mercenários, criamos o nosso próprio Paraíso terrestre e batizamos com o nome de “Paraíso Fiscal”. Ali, abençoados pela generosidade financeira, protegemos nossas “verdinhas” em “espécie”. Mas não se enganem pensando que se trata da flora tropical bem preservada. Neste caso, nos referimos às cédulas de dólar depositadas em contas pra lá de suspeitas.
Já os exemplares da nossa fauna contrabandeada desde sempre, agora, são enviados do “Paraíso Brasil” diretamente ao “Paraíso Fiscal”, sem taxação, estampadas nas notas do nosso Real.
No fundo, queremos mesmo é preservar as “araras” que valem “dez reais”. Defendemos, bravamente, os “micos-leões-dourados” que estão cotados a “vinte”. Brigamos como loucos pelas “onças pintadas”, ou seria por “cinquenta reais”? Tira a mão que ninguém vai “pescar” minha “garoupa” de cem reais, não! Ora, quem sabe se numa sombrinha agradável lá nas Ilhas Caymãs elas não se reproduzam rapidamente?
Diante desse “Capitalismo selvagem”, para se alcançar o Paraíso basta colocar a grana na cestinha diante do altar. Um carrão novinho também dá direito a chegar lá. E o que falar da ida ao shopping com dinheiro pra gastar? E se faltar din din, há cartões de crédito, cheque especial e crediário, todas as facilidades do mundo no “Paraíso do Consumo”!
Mas nós somos a Mocidade e, independentes, podemos ir a qualquer lugar.
Vamos fazer a nossa parte! Querer é poder, e o amor constrói. É possível descobrir o nosso próprio paraíso, afinal, ele está perto de nós, dentro de nós mesmos, em nosso interior.
Vamos jogar fora as amarguras do dia a dia e nos vestir com a fantasia que sempre sonhamos: milionário ou plebeu, rainha ou camelô, desempregado ou doutor, um nobre ou apenas um sonhador.
Afinal, hoje é carnaval, e se você sabe o que procura, tudo é possível no “Paraíso da Loucura”!
Está esperando o que pra ser feliz?
Ordem dos desfiles 2010
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Desta vez, o melhor ficou pro final nos 2 dias.
Ainda com esperança do melhor ter ficado pro começo do segundo dia.
Vai Mocidade!!!
abs,
RicaPerrone
Quero ser a pioneira…
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1985. A Mocidade fazia um carnaval nas estrelas, um ziriguidum prevendo o ano 2001. A pioneira em paradinha, a bateria nota 10, a que lançou rainha de bateria inovava mais uma vez. Era a minha Mocidade ganhando seu primeiro titulo, com um samba épico, lindo e empolgante!
Isso é Mocidade!!!
Desse mundo louco
De tudo um pouco
Eu vou levar pra 2001
Avançar no tempo
E nas estrela fazer meu Ziriguidum
(meu Ziriguidum)
Nos meus devaneios
Quero viajar
Sou a Mocidade
Sou Independente
Vou a qualquer lugar (bis)
Vou à Lua, vou ao Sol
Vai a nave ao som do samba
Caminhando pelo tempo
Em busca de outros bambas (bis)
Quero ver no céu minha estrela brilhar
Escrever meus versos à luz do luar
Vou fazer todo o universo sambar!
Até os astros irradiam mais fulgor
A própria vida de alegria se enfeitou
Está em festa o espaço sideral
Vibra o universo hoje é carnaval
Quero ser a pioneira
A erguer minha bandeira
E plantar minha raiz (bis)
abs,
RicaPerrone de Padre Miguel
Soca no pilão…
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O samba de hoje é do Salgueiro, 1992. Não tem qualquer motivo especial para ser o escolhido. Porém, além de ser um belíssimo samba, por alguns anos foi o hino de uma turma de amigos que faço parte. Não me pergunte porque.
Mas, em homenagem a Eduardo Bonazzi, “o todo poderoso”, o Salgueiro de 92.
História, beirando a poesia
Lenda, sonho e fantasia
Abissínia, Arábia
A natureza é tão sábia
Num quê de malícia
Trouxe essa delícia ao Pará
Dizem então (dizem então)
Que foi a terra, o sol, este luar
Que o fez se apaixonar por esse chão
E se espalhar como um mar
Da cor da raça
Cheiro de sabor (sabor)
Gostoso como um beijo do amor
O ciclo do café era a riqueza
Fausto e luxo da nobreza
E suor da escravidão
Sonso, vira rico e rotina
Filosofia de esquina
Cafezinho no balcão
Tem até quem admite
Que ele dá bom palpite
Na loteria popular
Cadê o bom café, foi viajar
Onde andará… eu sei lá
Soca no pilão
Preto velho mandingueiro
O negro que virou ouro
Lá nas terras do Salgueiro
abs,
RicaPerrone
Aquarilha do Brasil
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1988. Meu pai colocava o disco do carnaval carioca e eu já decorava todas. Um samba me chamava atenção, pois tinha a torcida do Flamengo de fundo. Eu pegava o disco e colocava pro time do Flamengo entrar em campo no meu campeonato de Botão. Adorava esse samba, tinha 10 anos e cantava ele inteiro. rsss
A Ilha falava de Ary Barroso, compositor. O nome do enredo era “Aquarilha do Brasil”. Memorável, como sempre. Ninguém faz samba enredo como a União da Ilha. Pena que caiu e por lá ficou. Faz muita falta. Deve ser a escola mais querida de todo brasileiro, ou a “segunda escola” de todo mundo.
Quinho, hoje no Salgueiro, era o puxador do samba. E que baita samba!
Saudade, só deixou saudade
Pra ser mais um dos menestréis
Vem na cegonha pra ver
Ari Barroso, o tema é você
Na Bela Época, nasceu em Ubá (em Ubá, em Ubá)
O menino iluminado
Hoje atravessa o mar
Com a minha Ilha
Nessa Aquarilha do Brasil
Marcou gerações, ligou corações
E o povo ainda canta as suas canções
Tia Ritinha, foi ela
Que abriu as portas pro seu caminhar (ô dá nela)
Machucou meu coração
Ô Maria, na palma da minha mão
Vai cantar o quê? Calouro
Morena da boca de ouro
Quindim gostoso
Quem vai provar? (bis)
No tabuleiro de Iaiá
Boneca de piche, faceira, grau dez
Trabalha, trabalha, nego
Alô amigos, Zé Cariocou
Divina musa
Sua voz maior no exterior
A gaitinha tocando… é gol
A galera vibrando… Mengo! (bis)
Na homenagem veio a paz, a emoção
Minha Ilha risque agora (bis)
A saudade nesse chão
abs,
RicaPerrone
Rola bola, bola rola
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Hoje, 19h, começa uma maratona de 25h de futebol. Decisões, jogos importantes, times grandes e só jogaço! No contexto, um sambinha enredo da minha querida Mocidade de Padre Miguel, que fala sobre o jogo e usa uma frase que pode determinar vencedores nesta rodada.
“É um jogo de prazer sem medo de perder o gosto de arriscar”. 1993, Padre Miguel arrebentava na avenida. Hoje é dia! Vai Palmeiras, Vai Gremio! E que o Pacaembu seja palco de um jogo épico.
Segue a letra, segue o samba!
Vai começar
a Mocidade acende a chama da emoção
lembrando a Grécia onde o jogo se tronou
uma forma de competição
iluminada palos deuses
a Mocidade vem jogar no carnaval
a sorte da estrela que nos guia
no pano verde dessa minha fantasia
Já joguei muito com a vida
já rodei muito peão (peão)
A sorte pode vir parar na minha mão
Vem me seduzir
com seu jogo de olhar
é um jogo de prazer
sem medo de perder
o gosto de arriscar
A vida é como um jogo de xadrez
desde o começo da humanidade
aqui, se nasce jogando
perdendo ou ganhando
Em busca da felicidade
Rola bola, bola rola
na vida sempre joguei
Se carambolar eu ganho
feridô marraio sou rei
abs,
RicaPerrone de Padre Miguel
Obra prima da Serrinha
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Em 1996 o Império Serrano, tradicional escola do RJ, fez um samba que falava sobre o Betinho e sua luta. Se a escola não conseguiu um grande resultado, o samba ficou pra história como uma das mais belas composições do carnaval carioca.
Acordei ouvindo, e como sou chato, quero que todos ouçam! rss
Segue a letra da obra-prima e, em seguida, o áudio.
O povo diz amém
É porque tem
Um ser de luz a iluminar
O moderno Dom Quixote
Com mente forte vem nos guiar
Um filho do verde esperança
Não foge à luta, vem lutar
Então verás um dia
O cidadão e a real cidadania
Quero ter a minha terra, ô ô ô
Meu pedacinho de chão, meu quinhão
Isso nunca foi segredo
Quem é pobre tá com fome
Quem é rico tá com medo (bis)
Vou dizer…
Quem tem muito, quer ter mais
Tanto faz se estragar
Joga no lixo, tem bugica p’ra catar
Senhor, despertai a consciência
É preciso igualdade
O ser humano tem que ter dignidade
Morte em vida, triste sina
Pra gente chega de viver a Severina
Junte um sorriso meu, um abraço teu
Vamos temperar
Uma porção de fé, sei que vai dar pé
Não vai desandar
Amasse o que é ruim, e a massa enfim
Vai se libertar
Sirva um prato cheio de amor
Pro Brasil se alimentar
Eu me embalei p’ra te embalar
No balancê, balancear
Vem na folia
Chegou a hora de mudar
O meu Império vem cobrar democracia (bis)
Fala sério hein?!
abs,
RicaPerrone
Os enredos 2010
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2010 já começou. As escolas do Rio já tem seus enredos definidos para o carnaval. A Beija-Flor, evidentemente, já tem o maior patrocinador, pois falará de Brasília. O Salgueiro falará da história dos livros, um puta enredo, diga-se.
A minha Mocidade querida, que vai de mal a pior, manteve Wander Pires, perdeu todo o resto, e escolheu: “Viagens em busca do paraíso”. Típico enredo abstrato que pode ser tratado de mil formas. Não gosto.
Prefiro os enredos claros, pois facilita o jurado na nota e não abre chance de interpretação e nota baixa. Esse enredo, segundo o Cid, carnavalesco, trata da busca, através da mudança e da superação, do paraíso que existe em cada um de nós. Ou seja, trata de tudo.
Não gostei. Mas… vamo que vamo.
O Império Serrano, que caiu, falará do escritor João do Rio.
A Grande Rio, minha segunda escola, segue sua veia comercial e global. Falará dos 20 anos do camarote da Brahma na Sapucaí… Eu hein!? Será que vão tocar tecno no desfile, igual o camarote faz la dentro? rs
A Imperatriz fala sobre religiosidade, um puta enredo. Dá pra fazer muita coisa, o duro é não desagradar alguem numa fantasia ou carro mais ousado. Porém, “Ousado” e “Imperatriz” não são palavras que se relacionam. rs
A Ilha fala da Espanha.
A Porto da Pedra falará de moda. Com o enredo:”Com que roupa eu vou? Pro samba que você me convidou”.
Eu quero é ver a Beija-Flor meter Oya, Oxala, Iemanja, Oxulum, Xum xum e o caralho a quatro num samba sobre Brasilia! Isso sim! hahahaha
E assim vai.
Tõ gostando dos enredos até agora. Algumas ainda faltam definir, outras já definiram mas eu tô com pressa. Falo mais durante semana. rs
abs,
RicaPerrone
Sente o pancadão – Portela 2008 (by RicaPerrone)
Posted by: | CommentsFuçando em coisa velha aqui, achei esse vídeo que fiz na Sapucaí 2008, setor 11.
Puta show da Portela!
Nunca foi? Clica aí e sente o “pancadão” da bateria.
abs,
RicaPerrone





