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Aquele que tudo pode

O Rio de Janeiro recebe sua santidade, o Papa.

São Januário recebe Juninho, sua santidade. Milhares de pessoas correm para vê-lo numa linda demonstração de fé e devoção.

Aos berros, recordam o “gol monumental”. Ele ergue um braço enquanto aquece e o caldeirão começa a ferver.

Quando deixa o zagueiro bater, a torcida entende e apoia. “É pra motivar os companheiros”, diz um de seus fiéis.

Quando bate, é gol. E que golaço!

Nem vi, mas foi. Afinal, é dele.

Éder Luis erra um passe e a torcida ameaça vaiar. Juninho aplaude, e o passe até que não foi tão ruim assim.

Juninho lança errado, mas foi o atacante que não entendeu. Aplausos para a tentativa.

O Vasco de Juninho não entra em campo pra golear ninguém. Entra pra suar sangue e vencer.

Através dele, seja por passes, cobrança de falta ou até a conclusão a gol, o time mediocre ganha outro perfil.

Não tente entender porque. Juninho quis assim. Ele manda.

Na volta pro segundo tempo ele orienta, grita, explica.

Falta. Ele deixa, de novo, pro zagueiro bater. E o menino, abençoado por sua santidade, acaba marcando um golaço.

2×0, já era.

Pode aliviar, Juninho.

Enquanto a torcida grita que “o campeão voltou”, abusando da fé, os não tão abençoados defensores erram, deixam o “inimigo” empatar.

Infiéis, ameaçam vaias.

Antes delas, Juninho cobra uma falta na cabeça do recém chegado e coloca tudo novamente no seu devido lugar.

Aos 44, Juninho tira uma bola no meio-campo e vibra apontando pra torcida. Se tivesse de costas acharia que foi gol.

Fim de papo! Festa no caldeirão.

Juninho junta seus colegas e vai agradecer o apoio dos fiéis, que cantam, felizes da vida.

Era uma simples vitória diante do Criciúma em casa. Não fosse a volta de Juninho a São Januário.

Raríssimas vezes vi uma relação de devoção tão honesta e respeitosa.

Santificado seja o vosso passe. Seja feita a sua vontade.

Amém.

abs,
RicaPerrone