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Aposenta, capitão!

Calma, paquita. Eu adoro o Ceni também. Antes de dar uma de maluco e sair gritando: “Deixem meu ídolo em paz!”,  “Jogue até os 76 anos!”, e outras alucinações, vamos ao que de fato importa.

Rogério tem pouco a ganhar, muito a perder. Este motivo já basta para entender o que quero dizer e onde quero chegar. Marcos, forçado pela sua imagem a continuar até onde não dava mais, só se arrastou, falhou e ainda fez o clube perder Cavalieri, o melhor do país hoje.

Ceni não precisa de mais 1 jogo pelo SPFC. Se quiser, pode parar agora a tarde e não vai mudar em nada seu status de “maior jogador da história do clube”. Mas amanhã, lidando com gerações novas, um erro pode gerar alguma vaia, uma marca, uma final perdida e uma mancha besta e desnecessária.

Rogério não tem mais o que buscar dentro do clube, já manda o suficiente, já fez seu nome mais do que suficiente. Isso gera uma vontade de buscar algo que não existe, que é, neste caso, “algo mais”.

Mais o que, capitão?

Já tem tudo e mais um pouco. Pára por cima, voando, pegando tudo, classificado pra Libertadores e com os recordes nas mãos. Vira manager, diretor, treinador, o que for. Mas não corra o risco.

E aí você pode dizer: “E se ele voar em 2013 e for campeão de tudo?”.  Pode acontecer, e eu te respondo, lembrando que decisões desse tipo se tomam antes de saber o que vai acontecer amanhã: “E se, dentro do provável índice físico do ser humano no planeta terra, ele tiver uma queda natural de rendimento e se expor a um grande erro?”.

A questão é: Pra que? Pra quem?  Porque?

O que tem a ganhar é pouco perto do que tem a perder. E sabe, como todo grande ídolo, que tem muita inveja atrás dele esperando um erro pra menosprezá-lo. Se um dia a bola der razão aos secadores, vão despejar 20 anos de vontade de criticar em 6 meses.

Ontem no Morumbi aconteceu só um pouquinho do óbvio. Ele vai tentar desesperadamente vencer mais alguma coisa e pode, por coração, se atropelar na postura. Não é mais “um campeonato”, é “o último campeonato”. A intensidade vai mudar,  como mudou ontem numa atitude que ele nunca teve.

Rogério já flerta com a aposentadoria quando faz campanha politica e discute com um treinador publicamente. São sintomas de quem não está mais tão preocupado assim com o que dirão no dia seguinte a seu respeito.

Não foi fácil chegar ao status de intocável. Mas ele sabe, inteligente que é, o quanto é mais fácil perder este status, ou parte dele.

Pare mito, gênio, ídolo, imortal.

Não corra o risco de ser uma grande história se já atingiu o patamar de lenda.

O São Paulo sobreviverá, sempre sobreviveu. Ceni, idem.

Ele não merece ser discutido as segundas e quintas-feiras, nem seus fãs merecem ter que defendê-lo a esta altura.

Ceni merece uma estátua no Morumbi. E mais nada.

abs,
RicaPerrone