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A mesma praça, o mesmo banco…

“Vou no mínimo ficar sem trabalhar 30 dias para depois pensar no que vou fazer. Não tomo esse tipo de atitude, de sair de um lugar e ir para o outro. Estou abrindo mão de um contrato muito forte, o melhor da minha carreira, para ficar desempregado”, disse Muricy, em 14/03.  Hoje, em 5/4, ele ja se diz acertado com o Santos.

Conversas que já acontecem há algum tempo. Ontem, traira. Hoje, pra uma torcida, “novo Deus”.

Assim foi no Flu, no SPFC, no Palmeiras e será no Santos.

Enquanto alguns tem o direito de achar isso ou aquilo, na Vila só será permitido exaltar o professor. Assim a imprensa determina, assim segue o torcedor.

Muricy confirmou hoje que vai pro Peixe, novamente com palavras não muito coerentes.

“Não fui para a Seleção Brasileira porque tinha dado a minha palavra ao Fluminense. Não tinha assinado nada. É palavra. Imagina agora, que tive uma ótima conversa com o Santos? Como dei minha palavra, não vai acontecer nada.”

Ele não foi pra seleção porque o Flu não deixou e ele não sabia quanto ganharia na seleção. Foi isso que ele argumentou aos seus amigos e colegas. Pra imprensa (torcida) ele disse que foi por “palavra”.

Mesma palavra que cumpre os 30 dias antes de sequer ouvir alguém. Mesma palavra que disse não abandonar trabalhos na metade, como fez no Flu.

Palavra que teve quando saiu do SPFC, time que fez dele alguém na vida, pra dizer que “no Palmeiras todo mundo é parceiro ao contrário do SPFC, e quando pequeno ele era palmeirense”.

O bom marketeiro disse, no Flu, que a Unimed pediu muito pra ele ficar. E em entrevistas dias depois o presidente da empresa disse que não pediu, além da coerência de ter detonado parte daquilo que fazia o seu amigão, que foi um dos motivos de sua saida.

O Santos é o caminho mais natural. Muricy, muito esperto, só trabalha onde ele tem 95% de chances de dar certo. Um time pronto, altamente qualificado, sem pressão exagerada, com estrutura… é duro de dar errado.

Tá certo ele.

Ganso, Neymar e Jonathan batem bem na bola. Fatalmente não se incomodarão em cruzar na área por 90 minutos.

Mas assim como no Flu e no Palmeiras, Muricy destruirá o futebol do Santos depois de algum tempo. A curto prazo acredito até que dará certo, pois haverá um equilibrio entre o seu péssimo futebol com o ótimo futebol dos garotos.

Depois, quando um ou outro sair e ele for insistindo naquele jogo covarde, as coisas voltam ao normal e ele será demitido, como teria sido no SPFC em junho de 2007, não fosse a amizade com o Juvenal.

Mais um capítulo começa hoje. Igual novela.

Você sabe que duas famílias se odeiam e os filhos se apaixonam, no final, aproximando todos, prendendo os bandidos e casando os mocinhos.

Muricy vai virar Deus. Vai falar e cagar regras por uns 3 meses. Perderá a Libertadores e dirá que mata-mata é sorte. E nos pontos corridos, campeonato sem brilho, vai bem e será eleito pela imprensa anti-Luxa e anti-Felipão o melhor técnico.

Em 2012, porém, o Santos não serve mais e ele correrá pro novo time mais forte do país “cumprir contrato e dar exemplo pros filhos”.

É sessão da tarde.

Meus pêsames ao Santos. Dono do melhor futebol de 2010, agora prestes a jogar como um nanico em busca de um gol de bola parada.

E em casa, alguém dirá: “Papai, um mês tem 20 dias?”

abs,
RicaPerrone