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A melhor pessoa

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Um dia estava no twitter falando bobagem como sempre quando fui surpreendido por um novo seguidor. “Valdir Espinosa está te seguindo”. Pensei que era fake, mas vi logo que tratava-se mesmo do campeão mundial.

Isso faz mais de 5 anos, quando ainda morava em São Paulo. Numa das vezes que fui ao Rio combinamos de almoçar. Ali conheci o Dom Hélio, que até hoje é meu restaurante favorito na cidade, diga-se.

Me sentei com um campeão mundial e seu filho, Riva, referência na preparação física. Conversamos por longas horas e trocamos as mais diversas idéias. Ao final me lembro de tentar agradecer a ele o que aprendi naquele dia e ouvi: “Aprendemos os dois. Eu com você, você comigo”.

Fiquei encantado. Quem esse cara pensa que é pra ignorar o fato dele ser quem é de fato para se colocar num patamar “mortal”?

Logo fomos ficando amigos, aproximando as famílias e até meu primeiro “estágio” a distância que fiz na área técnica foi ajudando ele na observação do adversário enquanto ele foi treinador do Duque de Caxias.

Mas Valdir não tem empresário, não faz política e não joga o jogo. É o que é, e hoje em dia ser não basta, é preciso parecer. Ficou anos comentando futebol como se pudesse com palavras preencher o vazio de não estar mais ali.

Um dia estávamos numa resenha maravilhosa na casa de um amigo conversando sobre futebol e passado. Entre um vinho e outro o Rodrigo Caetano citou sua passagem no Grêmio. São dois “gremistas”, era evidente que o papo acabaria indo pra lá.

Ele falou e se emocionou. E quando perguntei a ele o que ele mais queria na vida, após ganhar tudo, ver os filhos criados, encaminhados e os netos idem, ele me respondeu: “ser campeão pelo Grêmio. Não tem nada igual”.

Ficamos olhando pro vinho, pros queijos, pra mesa por uns 30 segundos sem falar nada enquanto ele montava essa cena em sua cabeça. Deve ser foda poder “lembrar” de uma conquista heróica e não apenas sonhar com ela.

Foi aos EUA, trabalhou por aí, voltou a Porto Alegre há pouco tempo com o Renato pra trabalhar no “seu Grêmio”. E quem diria, o professor que aprende com alunos estava ali de novo, podendo tirar o time de uma fila de 15 anos na sua nova velha casa.

Ao final do jogo desta noite eu não consegui imaginar ninguém mais feliz no mundo do que o professor Valdir. Não nos falamos ainda, e embora eu tenha certeza que lhe darei esse abraço pessoalmente em questão de horas, faço absoluta questão de dividir com vocês, gremistas, quem é esse cara e o quanto ele esperou por isso.

Professor, parabéns! E obrigado por ter me ensinado mais do que futebol, mas sim como não se achar Deus mesmo passando bem perto de ser um em determinados momentos. Como neste momento você é, por exemplo, pra muitos.

abs,
RicaPerrone