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A hora certa

Nem tudo na vida tem uma hora certa pra acontecer, mas quase tudo tem um momento em que não pode ser.  E se tem algo que não pode acontecer nesta semana é avaliar Felipe Massa enquanto piloto de F-1.

Eu contesto muito o bom senso de quem usa um momento de ternura para discursar sua amargura.  Tenho enorme pé atrás quanto a pessoas que puxam os outros pra baixo para tentar se sentir no mesmo nível delas.

Uma vez, me lembro bem, briguei com um puxa saco da Globo.com enquanto Carlinhos Brown concorria ao Oscar. Ele debochava do cara  pelo twitter durante o evento que o consagraria. Eu contestei, disse que não era o momento, que não fazia sentido. Que quem era ele pra estar “debochando” de quem está ganhando um Oscar?  E assim acabou nossa relação.

É como ir num casamento e computar os ex da noiva durante a cerimonia. Não faz sentido, é constrangedor, tosco, pequeno.  E pessoas que nascem pra ser pequenas não tem cura. Mas as que ainda tem, podem reavaliar a semana de Felipe Massa.

Eu não vou dar uma linha de opinião sobre o que acho dele como piloto. Eu me recuso. Simplesmente porque este sujeito está encerrando um ciclo de mais de uma década, cheio de amigos, aplausos, cenas comoventes como a dos boxes em interlagos, abraçado a sua linda família e indo pra casa rico descansar.

Honestissimamente, é meu papel julga-lo como esportista durante sua carreira. E também meu papel como ser humano aplaudi-lo ao final dela. Naquele momento não avaliava-se Felipe Massa. Apenas nos despedíamos dele e permitiamos que um sujeito que guiou uma Ferrari na F-1 pudesse abraçar sua família e se emocionar.

É como Carol e Renato no gramado da Arena. Querer julgar, avaliar ou dimensionar aquilo não é ser crítico, mas sim ser um imbecil. Como quem tenta fazer chacota de um brasileiro que foi indicado ao Oscar no momento da entrega do prêmio?

Tem disso. A vida é feita de meia dúzia que fazem história, uma dúzia que a conta, e todo o resto que vaia ou aplaude, sem maiores funções.

Tenha você o papel que for, o faça com mais sentimentos e menos pragmatismo.  A vida faz sentido porque Felipe parou os boxes das equipes para abraça-lo, porque Carol e Renato se abraçaram em campo, e não porque você acha que “está na regra e tem que punir”.

A regra existe para sobrepor a falta de bom senso. Quando há bom senso, a regra é mera formalidade.

Parabéns, Felipe! Eu queria ter sido você naqueles 20 minutos após o abandono do GP Brasil.  Talvez não tenha conquistado títulos, mas uma família, o respeito e a amizade de todos os colegas e aplausos de um autodromo cheio devem ter um valor semelhante. Domingo você foi campeão.

abs,
RicaPerrone

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