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A difícil decisão de parar

O assunto proibido da vez é a aposentadoria de Rogério Ceni. Os tricolores discutem isso entre eles mas não toleram que alguém discuta abertamente. Teimoso, o farei.

Rogério Ceni tem uma carreira indescritível. Se parar hoje, é Rei pra sempre no Morumbi. Se tivesse parado no dia do jogo mil, sugestão deste blogueiro, seria um mito sem igual, tendo parado no ponto mais marcante da história entre ele e o clube.

Aos 39 anos, vai jogar a temporada 2012 e aposto que o fará em alto nível, como sempre fez.  O questionamento real é o quanto vale a pena, o tamanho do risco e sabermos que não estamos lidando com um goleiro apenas, mas sim um “herói” da torcida, uma marca a ser preservada para gerar lucro por mais 2 gerações.

Rogério falhará uma hora em 2012. E ao falhar, não ouvirá que “acontece”, mas sim que “tem que saber a hora de parar”.  Nessa idade, mesmo que ele queira, os reflexos vão piorar. E mesmo que ele voe, na menor falha, será colocado em pauta.

Eu vejo Marcos, vejo Clemer, vejo Tulio, Ronaldo e tantos outros nomes que insistiram em se aposentar de chuteiras e fico imaginando se há algum beneficio na idéia de deixar o Rogério correr o risco de errar, virar vilão de uma decisão, tomar uma vaia ou mesmo ser questionado pela mídia.

Eu não aceito a forma que o Marcos está deixando o futebol. E não gostaria que o Rogério tivesse o mesmo caminho.

Você dirá, euforico e apaixonado, que “ele não!”. Mas, pra que o risco?

O que tem a ganhar Rogério Ceni no SPFC ainda? Não me refiro a títulos, me refiro a uma história. Ele fez tudo, bateu todos os recordes, ganhou tudo, foi herói, conquistou até quem duvidava dele, virou o simbolo maior de um clube.

Pra que correr o risco?

Muito a perder, pouco a ganhar. E se ganhar, ótimo! Não escrevo para apostar que não dará certo, mas sim para questionar se é válido o risco de começar a ouvir aquele papo de “ex-jogador em atividade”, “nao sabe parar”, “fominha”, etc, etc,  etc.

Se outra falha como a de 2006 (Beira-Rio) aparecer em 2012, ficará. Ele não terá tempo de sobrepor essa imagem, não terá conserto.

E a pergunta não é se ele pode, se ele vai ou se não vai jogar em alto nível. A pergunta é se vale o risco a troco de, no máximo, mais um bom ano e talvez um título menor do que os que ele já tem.

Pela admiração e respeito que tenho pelo Capitão, não gostaria de vê-lo como tomar uma vaia ou mesmo ser questionado pela imprensa no final de sua incrível carreira.

Se acertar, será rotina. Se errar, será massacrado e forçado a parar como aconteceu com tantos outros.

Rogério é um  mito, não pode se misturar aos mortais.

Mortais “morrem”. Rogério Ceni não pode “morrer”.

abs,
RicaPerrone