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A Copa no Metrô

Era uma tarde comum no Rio de janeiro não fosse a presença ilustre de milhares de franceses e equatorianos.   Se de um lado era um festival de “Si, se puede”, sabendo que não poderiam, do outro era só euforia pelas oitavas, já sabendo que seria a Nigéria o próximo alvo.

“Allez les blue” pra lá e pra cá, franceses cheios de camisas do Zidane.

Eu não costumo me incomodar com isso, mas é quase como um poster do ex namorado da sua esposa na sala de casa. A imagem não te faz nada, mas irrita.

Ao contrário de outros tantos, os franceses parecem saber o mal que já nos fizeram e nem por isso se consideram maiores. Tem respeito pelo nosso futebol e muita admiração.

Na volta do estádio, após jogo mediocre terminado em 0 a 0, um grupo de franceses falava sobre Neymar. Ao lado deles, me intrometi num meio português/espanhol/sinais com a mão/ingles  e consegui lhes dizer que ele veio do Santos, time de Pelé.

Continuamos.  Conversei com eles por 3 estações até chegar a Del Castilho, nosso destino.  Eles entendiam, perguntavam, eu respondia.  Foi de Neymar a Copa de 98, onde fiz cara de “evitem o tema”.

Simpáticos, iam se despedindo na saída do metrô quando um deles disse: “Valeu, irmão”.

Me virei calmamente, após 20 minutos de tentativas de dialogar com os franceses, e perguntei:

– Você é brasileiro, irmão?
– Não. Sou frances. Mas venho sempre ao Brasil.
– Porra, e porque você não me ajudou a traduzir o papo?
– Desculpa, amigo. É que eu prometi pra eles que o brasileiro fazia qualquer esforço pra ser simpático. Eles precisavam ter a prova.

Eu não sabia bem se xingava o francês ou se achava genial.  Mas diante dos outros 4 rindo e tirando fotos com brasileiros que saiam do metrô cantando “mengo”, acho que entendi.

E fui pra casa sem lembrar de Zidane, Platini e Henry.

abs,
RicaPerrone

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