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A camisa, a raça e o monstro

Se para muitos o Corinthians “venceria os dois jogos”, a partida de hoje vai mudar a versão. Em 90 minutos, um show de acasos, erros, acertos, chances, briga, garra e uma vitória maiúscula. Não pelos gols, mas pela situação.

Há 1 semana disse: “Pra vencer este jogo, nesta crise, o Flamengo terá que ser muito Flamengo”. Hoje, dá pra cravar: Foi Flamengo pra cacete!

O roteiro é fantástico. Um time cheio de bons jogadores, alguns craques, focado, sem crise, calmo e cheio de fé. O outro na mais completa bagunça. Demite treinador, crise, torcida cobrando, diretoria não se entende, jogadores vaiados, e o inferno anunciado.

Encontro mais esperado dos últimos tempos. E quando chega a hora, quis São Pedro que não houvesse jogo no primeiro tempo.  Mandou ao Maracanã um diluvio que simplesmente transformou o jogo em loteria.

Loteria bastante mal jogada pelo técnico Rogério, diga-se.

Ao ver o estado do campo, teria que ter tirado o Michael. Ele é um carregador de bola, um menino que dribla, e não soube acertar NADA durante os 30 minutos que esteve em campo. Podia ter sacado, ou nem entrado com ele. Achei um erro grave, pois tudo não foi pro saco ali em virtude da vontade do Flamengo e da péssima atuação do Corinthians.

Também não concordei com a mudança do Pacheco no Love. Eu tiraria o Adriano, pois o Love dá muito mais opção de contra-golpe do que o Imperador. Mas, essa é o de menos.

O Flamengo venceu o jogo hoje com todos os méritos do mundo. Foi valente, guerreiro, correu, tentou, provou que é um time capaz de ser competitivo. Respondeu a torcida dentro de campo, dando-lhes motivo para vibrar e cantar.

Mas hoje, com toda a raça e a camisa que fez o Flamengo sair vencedor do duelo, destaco um verdadeiro monstro, talvez pouco notado.

O que jogou o garoto David foi falta de educação.

Gritou com a zaga, pediu a torcida, xingou, colou no Ronaldo, não deu um pontapé, tirou todas e nem falta boba ele fez. Aliás, que eu me lembre, nem falta fez.

Atuação de monstro. O melhor em campo disparado, contagiando os companheiros e fazendo com que o Álvaro se preocupe, pois uma atuação dessas é pra garantir vaga no time.

O Corinthians, por sua vez, foi mal, muito mal. Abusou da “experiencia” e da frieza que tanto apostou na Libertadores, mas esqueceu do coração. Faltou vibrar, faltou ser Corinthians.

Frieza e estratégia vencem jogos. Mas o futebol é o que é porque o coração ainda faz parte do placar.

O Flamengo meteu o coração na chuteira e brigou pelo resultado. O Corinthians tentou “cria-lo” na base da calma, que se tornou quase apatia.

No Pacaembu, tudo aberto. A vantagem do Flamengo não é nem o 1×0, mas sim o fato de não ter sofrido gols.

O Flamengo foi Flamengo.

É a vez do Corinthians ser Corinthians.

Será?

abs,
RicaPerrone