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“A cadeirante gay”

Provavelmente ouvi, mas não guardei. E se não guardei é porque ouvi pouco. O nome de “Lais Souza”, medalhista em panamericano, não era exatamente “popular” até janeiro de 2014.

Mesmo sendo representante de alto nível de um esporte, mesmo representando nosso país com todas as dificuldades que um esporte amador tem por aqui, nós não a conheciamos tão bem.

Ela sofreu um acidente e lamentavelmente teve o espaço na mídia que não pode ter enquanto buscava o sonho de uma medalha olímpica. Uma tragédia.

Desde então Lais passou a ser a ginasta mais falada do Brasil. Não porque alguém se importa e quer realmente dar alguma destaque ao seu esporte, mas porque trata-se de uma tragédia. Mídia adora tragédias.

Lais, sem andar, pode receber as honras que merecia pela atleta que foi. Mas nunca por isso, sempre por “pena” ou pra que uma música triste de fundo comova a imagem da agora machucada atleta brasileira.

Passado um ano do acidente, Lais volta as manchetes porque “tem namorada”.

Eu fico realmente surpreso com a cara de pau da mídia esportiva brasileira. Passa o ano pedindo melhoras no nosso esporte e não fala o nome de quem patrocina. Cria siglas pra não dar retorno aos investidores de “Laises” e só então quando algo realmente comovente, pro bem ou pro mal, acontece… lá estão os holofotes.

Não! Não sejamos hipócritas de dizer que “A ginástica tinha que aparecer no Globo Esporte todo dia!”.  Mas a mesma editoria que achou espaço em grandes sites e portais pra “cobrir a orientação sexual” dela não poderia ter sido mobilizada para acompanha-la quando competidora?

Lucas Bitencourt foi sexto no aberto do México. A equipe de ginástica do Brasil ganhou um novo e moderno Centro de Treinamento no Rio.

E você provavelmente não ouviu falar sobre nenhum dos atletas que estão ali buscando uma medalha.

Mas sobre a orientação sexual da Lais, sim. Porque ela ganhou algumas medalhas pra nós, foi uma atleta de alto nível, disputou duas olimpíadas mas só realmente importou pra mídia esportiva quando sofreu um acidente.

E agora, quando o drama não comove mais, ela é “gay assumida”.

E a mídia esportiva? Vai assumir que virou EGO quando?

abs,
RicaPerrone

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