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A cabana

Fui assistir. Contrariado porque não gosto de religião, não sou um ateu, muito menos um cristão. Mas fui porque algo neste filme chama muito a atenção das pessoas e eu queria saber o que era.

Deus. O filme fala de fé, passa por outras coisas muito interessantes como a questão do julgamento ao próximo (pra mim a melhor parte do filme), mas basicamente fecha em Deus.

E Deus é a coisa mais interessante de se observar no mundo. Todos falam dele, até quem não acredita. Quem acredita não aceita que se discuta, quem não acredita não tem com quem discutir.

Deus é a forma que o ser humano encontrou para regulamentar o bem. Mas foi através do seu nome que pessoas ruins levaram o mundo ao caos que hoje vivemos.

Foi via a fama dele que muita gente se promoveu. E será sempre no desespero do ser humano que outros tantos venderão um sonho, uma muleta, uma verdade, tanto faz. Deus será sempre um assunto presente. E infelizmente, uma proposta para que alguém se dê bem.

O filme relata que ele não pode controlar essas pessoas. E é muito boa a metáfora que o filme usa pra explicar tudo isso, embora a mim não convença. Mas não estou lá pra ser convencido, nem mesmo perguntei ao mundo se acham que devo ou não.

Curioso também é ver como mesmo em paises laicos o direito ao ateismo é absolutamente marginalizado por quem prega tolerância e amor. Tente não concordar com nada daquilo e verá: perderá amigos, seguidores, admiradores e até respeito. Porque segundo muitos doutrinados se você “renega” o que ELE acredita, você é um merda.

Deus, exista ou não, jamais concordaria com esse tipo de gente.

Deus não é uma fé, é uma regra cultural do mundo. Há países onde se faz “justiça” jurando sobre a bíblia. Ou seja, a fé é constitucional.

Não deveria. Porque fé é apenas um direito, não um dever e sequer um traço de caráter, como alguns tentam colocar na marra. Mas fé, atrelada a boas causas, independe de religião, nome, até mesmo de Deus, é bem vinda.

O filme é bom. Nos faz refletir bastante, e isso já basta. O único lamento é saber que todos os questionamentos feitos por ele e também que surgem em paralelo ao argumento do filme morrem na tese de que se você não acredita, está errado, vai pro inferno ou “ainda não se encontrou”.

Trata-se de pessoas que começam o exercício da Fé julgando os outros. Logo, não entenderam nada.

E nessa de entender, julgar, acreditar ou não, o argumento do respeito ao próximo some mesmo sob as leis de Deus. Depende apenas de que roteiro você escolheu pra segui-lo.

Eu nunca perguntei, até porque não teria resposta. Mas eu desconfio que se Deus existir e pudesse reclamar de algo, seria do tanto que o rotulam, o explicam, analisam e determinam seus valores sem sua autorização.

Assistam. É interessante. #Filosofei

abs,
RicaPerrone