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4 anos no Rio

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Hoje, dia 1 de agosto, completa 4 anos que cheguei ao Rio de Janeiro. O texto de quando completei 1 ano na cidade viralizou, depois fiz outros menos populares sobre o tema, como o 600 dias no Rio e o 900 dias no Rio.  Nesse meio tempo também comparei Cariocas e Paulistas.

Hoje eu quero lhes dizer umas verdades, cariocas queridos.  “Filhos da puta!”.

É isso que vocês são.

Um bando de arrogantes filhos da puta que não perdem a piada, a praia, a morena, a cerveja, o pagode, a chance de cortar caminho ou furar a fila, nem mesmo de contar uma mentira bem contada.

Mulheres cariocas, as mais “filhas da puta”.  A marquinha de biquini é de uma crueldade ímpar.  Só perde pro endemoniado shortinho que revela “sem querer” a poupa da bunda como se nada fosse. Esse sim, “filha da puta”!

Tá, tá, eu desisto! É biscoito. Foda-se.

Aqui eles chamam a “periferia” de subúrbio.  É tipo uma união de gente simples onde todo mundo se conhece, compra as coisas nos mesmos lugares, moram nas mesmas casas há séculos e mesmo encontrando mil problemas no bairro, dizem que não trocam aquela porra por nada.

É engraçado como o carioca se divide por áreas e se orgulha delas. Se o cara nascer na cadeia é capaz de passar a vida preso só pra dizer que nunca saiu de onde veio.

Aliás, antes que algum não carioca possa estranhar, “filho da puta” aqui é tipo um termo simpático entre amigos, não uma ofensa.  Tal qual “porra” é o termo que inicia todas as frases da região, o “viado” é a forma que os heteros se tratam diariamente nos bares e esquinas.

Cá estou, há 4 anos tentando entender como aceitar a idéia de, talvez, um dia, ter que sair daqui.

Quando digo que amo o Rio de Janeiro, tem gratidão nessa história. Minha carreira foi feita aqui, mesmo quando eu morava lá. Meus amigos dobraram aqui, minhas histórias pra contar então… eita! Deixa pra lá.

Eu vim em família, hoje moro sozinho. E é impressionante como o carioca não te deixa sozinho.  Mesmo que você queira, que desligue tudo, alguém vai dar um jeito de te arrastar pra rua.  A depressão e o Rio de Janeiro não combinam. Você não é bem vindo aqui enquanto estiver triste.

Nunca fui assaltado aqui.  Nem tomei um tiro de bala perdida. Aliás, na real, quanto mais próximo da pobreza menor o perigo. Me sinto bem menos ameaçado num ensaio na Vila Isabel do que num dia de praia na Barra.

Acho maneiro quando os cariocas dizem que sou o paulista mais carioca do mundo. Me soa como elogio, pois pra mim é um elogio parecer com eles.  Usar chinelo, não julgar pela roupa, rir de tudo, fazer piada de desgraça, dar uma de esperto mesmo fazendo papel de tonto.

Eu queria que o Rio fosse uma pessoa só pra eu poder dar um abraço e agradecer.  Não é o caso.  Mas se fosse, existiria pessoa mais incrível que o Rio de Janeiro?

abs,
RicaPerrone

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