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O mesmo assunto de sempre…

 E-mail que recebi hoje de um torcedor do Sport, que não me permitiu identificação, portanto, nào o farei. 

Mas, em relação ao conteúdo do e-mail, que é comum na minha caixa postal, responderei. 

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Caro RicaPerrone, 

Na condição de jornalista respeitável e conhecedor de futebol que é, tendo até como marca registrada a imparcialidade, não consigo entender porque você cita o Flamengo como pentacampeão e fala do título de 87 como se fosse legítimo.

Sou de Recife, conselheiro do Sport e conheço a história de perto. Talvez você seja um dos jornalistas do sudeste que a ignorem em troca de ibope, mas não acredito nisso por ser seu leitor há algum tempo. 

Confiando no seu bom senso, espero que faça um post se retratando do equivoco que cometeu dizendo ser o Flamengo o legítimo campeão de 1987. 

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Caro amigo, 

Essa discussão é aquela que toda vez que alguém começa surge outro pra dizer: “Porra, de novo?!”.  

Porque ela já deixou de ser uma discussão lógica e passou a ser uma discussão sustentada por paixão, não por razão. Até porque, por razão, outros tantos envolvidos sairiam manchados também, inclusive o meu time de coração, o São Paulo.

Mas, a verdade é a verdade. Não precisamos nos esquivar dela a troco de um rótulo da CBF ou da FIFA. São apenas entidades que oficializam papeis, mas não a emoção e a legitimidade de uma conquista. 

Em 1987 os clubes brasileiros fizeram tudo aquilo que sonhamos até hoje que façam: Se uniram, mandaram a CBF passear, arrecadaram mais dinheiro e fizeram sua liga, igual fazem na Europa e em qualquer país de melhor nível profissional que o nosso. 

Mas, para agradar esse ou aquele, a CBF resolveu se meter e assumiu o controle do que seria a segundona, módulo amarelo, como queiram.  Inventaram um cruzamento dos campeões da série A com os da série B, o que não faz o menor sentido. 

Dirão: Mas que absurdo os não rebaixados de 86 estarem na serie B! 

Sim, tão absurdo quanto dezenas de campeonatos brasileiros que contaram com mudanças de formulas e não rebaixaram os times do ano anterior, ou quando mudavam de 4 pra 8 classificados faltando 10 rodadas, entre outros. Ou seja, o argumento é valido, mas anula a legitimidade de 70% dos campeonatos já disputados aqui. 

Com um argumento: Era a criação de uma liga, e portanto não havia ligação com a última disputa de Brasileiro. Era por convite, e pra se iniciar um novo projeto, uma nova liga, convida quem pode, obedece quem tem juizo. Afinal, hipocrisia as favas, sem os 12 (mais Bahia) clubes que organizaram isso o futebol brasileiro não existe. Inclusive o Sport. 

Se é bonito ou não, não sei. Mas a vida é assim. Quando algo começa, quem começou é quem dita as regras. E quem organizou aquilo tudo foram os 12 clubes (mais Bahia) capazes de bater de frente com a CBF. Como se amanhã a F-1 perder 3 equipes e fundarem uma nova categoria, a Ferrari vai ditar as regras e não a Force India, porque quem dá importancia pra aquele novo projeto é a Ferrari. 

Enfim, vamos facilitar o basicão. 

Se os clubes da série A (modulo verde) se recusaram a jogar com o da série B fizeram bem. Seria patético uma decisão de titulo entre duas divisões, sejam elas criadas pelo criterio que foram. Se o Sport e Guarani acharam tão absurdo assim, deviam ter feito o chororô antes de começar, não depois. 

Os 13 clubes disseram que não jogariam com os times do modulo amarelo, portanto a decisão não foi do Flamengo ou do Inter, mas sim dos clubes que a enorme maioria do país torce. Eles optaram por isso e avisaram que não fariam jogo extra com ninguém.  Diga-se de passagem, decisão maravilhosa a de bancar o que foi feito no começo e não mudar DURANTE o campeonato pra agradar dirigentes de clubes que votam na CBF. É exatamente aquilo que pede o torcedor e a mídia: Coerencia.

O Sport foi considerado campeão e muita gente argumenta dizendo que foi o legítimo, que não teve “asterisco”, etc.

Ok, mas então, algumas perguntas:

É mais correto dar o titulo ao vencedor da série A, que cumpriu o que os clubes parceiros decidiram, ou ao time que NÃO VENCEU A SERIE B? 

Porque omitem a noticia de que o Sport nÃO VENCEU O GUARANI nos penaltis na final do módulo amarelo? Ficou 11×11, e acabou empatado.

Aí,  a CBF ignorou o “acordo” dos dois clubes, absolutamente anti-ético e fora de qualquer regra do futebol, e o título foi pro Sport na decisão do quadrangular. 

É legitimo?

Porque o Flamengo, pelo menos, venceu a decisão do seu modulo. E o Sport? 

Sejamos razoaveis. Aquele campeonato foi um passo fantastico pro futebol brasilero crescer, mas a CBF e clubes menores não aceitaram, deu no que deu. Somado a isso a covardia de alguns grandes, que abriram as pernas por outros interesses e deixaram a CBF ser co-organizadora do torneio. 

O Sport é um grande time, tem uma grande torcida e não precisa de um papel pra ser campeão brasileiro. Até porque, sabe que não é.  Pois se o Flamengo é questionado por não ter encarado o campeão da série B naquele ano, o que dirá do time que não venceu a série B ser campeão brasileiro sem enfrentar nenhum dos 16 maiores clubes do país naquele ano? 

Quem tem o caneco mais contestavel? 

Acho que o não campeão da B, que não jogou contra nenhum time da A, que nem sequer venceu o seu módulo, poderia e deveria ser bem mais questionado do que o titulo daquele que cumpriu o acordo entre os clubes, que se recusou a fazer o que a CBF queria e que manteve o combinado. 

Some isso ao lamentavel erro do meu SPFC em 2007, quando fez uma camisa “Penta Unico” e desmereceu um titulo de um rival pra vender camisa. Ignorou o que assinou, ignorou o campeonato que ajudou a criar, e passou por cima de um documento assinado pelo proprio Juvenal em 87, em nome do SPFC, dizendo que legitimava o Flamengo campeao de 87. 

O que é verdade tem que ser dito.  Eu reconheço que o meu clube fez algo bem feio e anti-ético, não tem problema. 

MAs acho que tá na hora do torcedor do Sport e dos anti-rubro-negros espalhados por ai buscarem argumentos mais solidos e menos incoerentes.

Porque a coisa mais comum que existe nesse pais é contestar a CBF e pedir que os clubes controlem o futebol.

Quando fazem… não vale. E aí os mesmos que pedem por isso, enchem o peito e dizem: “O Sport foi o legitimo campeão”.

Desculpa irmao. Eu agradeço seu email e espero não passar por mal educado. Mas ao meu ver, se tem alguem que tem uma taça e não foi campeão em 87 é o Sport, que sequer bateu o Guarani na final do seu módulo.

abs,

RicaPerrone

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O mesmo assunto de sempre..., 10.0 out of 10 based on 6 ratings

Comments

  1. Thiago Péres says:

    Texto lindo e verdadeiro, assino embaixo. SRN!

  2. wagner klein says:

    Acho que você está errado Rica, o Flamengo é TETRA, o Vasco foi PENTA e o Sport é o legitimo Campeão Brasileiro de 87

    Agora vou ali conversar com o Coelho da Páscoa, na casa da Mula-sem-cabeça, que fuma um charuto com o Saci, que acabou de chegar de uma Maratona, dizendo que o Boi tátá no Pasto

    PS: Explicar-me-á uma coisa, Rica: Se o Sport obteve melhor campanha no Brasileiro de 87 ele não deveria ter sido declarado CAMPEÃO BRASILEIRO LEGITIMO ao término do jogo?
    Não consegui compreender essa sucessão de atos: Termina o jogo, constata-se que o Sport é o detentor da melhor campanha, decide-se então cobrar as penalidades, como ninguem consegue vencer – imagino a monotonia – encerra-se em 11 x 11 e RETROAGE-SE até aquele ponto onde o Sport havia concebido a melhor campanha e por isso é declarado Campeão. Entendi não.

    PS2: A CBF deve ter ficado raivosa, quando no ano subsequente, o MAIOR CLUBE DO NE, o Bahia foi LEGITIMAMENTE CAMPEÃO BRASILEIRO vencendo os GRANDES. Moral da História: Criaram uma confusão que a própria História iria consertar

    BAHIA, o unico Clube NORDESTINO CAMPEÃO BRASILEIRO DE FUTEBOL!

  3. Social comments and analytics for this post…

    This post was mentioned on Twitter by muradzz: http://www.ricaperrone.com.br/?p=3250 Lindo, perfeito, BRUTALLITY COM OS GENERICOS ATITULADOS. Perfeito @RicaPerrone, vou dormir muito feliz…

  4. [...] Sport – Campeão brasileiro de 1987 da Segunda Divisão 1 11 2009 Li na net que o Sport ameaça processar qualquer veículo de comunicação caso alguém mencione que o Flamengo será hexa, caso o mesmo ganhe do Grêmio no próximo domingo. Resolvi então postar a história resumida deste blog aqui,  só para que não fique dúvida do ocorrido de 12 anos atrás. Para maiores informações, leia também este aqui. [...]

  5. [...] Sport – Campeão brasileiro de 1987 da Segunda Divisão 30 11 2009 Li na net que o Sport ameaça processar qualquer veículo de comunicação caso alguém mencione que o Flamengo será hexa, caso o mesmo ganhe do Grêmio no próximo domingo. Resolvi então postar a história resumida deste blog aqui,  só para que não fique dúvida do ocorrido de 12 anos atrás. Para maiores informações, leia também este aqui. [...]

  6. nigrosopmac says:

    Conselheiro de cu é rola. Que conselheiro é esse que nem assina um e-mail? Que conselheiro é esse que prefere o anonimato? Por mim, o e-mail perde a validade logo no começo.

    Rica, mais uma vez parabéns pela sua coerência e educação na hora de responder a esse tipo de cidadão. Não adianta, vão morrer defendendo esse absurdo, mas nunca vão convencer 35 milhões de torcedores + as os jogadores que entraram em campo + os dirigentes que criaram a Copa União + qualquer pessoa respeitável que preze pela própria honra.

    SRN

  7. Clinio says:

    pooooooorra!!! nunca tinha lido isso, sou novo aqui no blog, hehehe, mas a resposta foi muito bem dita!!! e a gente se degladiando aqui, hehehehe, poisé!!! muito bem seu Rica!!! é tudo o que eu tbm penso a respeito disso!!!

    abs

    SRN!!!

  8. RubygB says:

    I am willing to tell that a professional sociology essay service is a light on the path of analysis essay creating. So, people should utilize it anytime they need buy custom essays.

  9. Bal says:

    Campeonato Brasileiro 1987

    Contexto do Campeonato Brasileiro 1987

    O Campeonato Brasileiro de 1987 ficou conhecido como Copa União e tinha o nome oficial de “João Havelange”, foi organizado pelos mais consagrados clubes de futebol do País, algo semelhante ao que acontece hoje nos principais campeonatos nacionais da Europa como Inglaterra, Alemanha, Itália, etc. 87 foi o ano da revolução no futebol brasileiro. Revoltados com o imenso prejuízo nos últimos anos, os treze maiores clubes do país bateram o pé, enfrentaram a CBF.

    Em 1987, a CBF passava por uma grave crise financeira e confusão administrativa devido a disputas políticas internas divididas entre os dois presidentes. Então em junho de 1987, Octávio Pinto Guimarães, presidente da entidade, anunciou publicamente via imprensa que a CBF não tinha condições de organizar o Campeonato Brasileiro daquele ano. Notícia que em seguida foi confirmada também pelo seu vice-presidente Nabi Abi Chedid que além de confirmar a situação deu todo o aval para que o presidente do São Paulo F.C., na época Carlos Miguel Aidar, tomasse a iniciativa de convencer os principais clubes do Brasil a fundarem uma associação que os representassem e teria como primeiro objetivo a organização do Campeonato Brasileiro de 1987.

    Na manhã de sábado do dia 4 de julho de 1987 no Morumbi foi fundado a “União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro – Clube dos Treze” que reunia os representantes dos 12 principais clubes de futebol do país na época mais a inclusão do Bahia que também estava presente. Os membros fundadores da associação foram os quatro grandes de São Paulo: Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos; os quatro grandes do Rio de Janeiro: Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo; os dois grandes de Minas Gerais: Atlético-MG e Cruzeiro e os dois maiores do Rio Grande do Sul: Internacional-RS e Grêmio, incluindo o Bahia que de acordo com um levantamento feito pelo Jornal do Brasil representavam juntos na época 95% de todas as torcidas do futebol brasileiro. O idealizador do evento, Carlos Miguel Aidar, foi eleito também o presidente da nova entidade, permanecendo no cargo até abril de 1990.

    Reunidos na nova associação, apesar das ameaças de desfiliação por parte da CBF, com o respaldo da FIFA, agregaram um novo elemento ao mundo do futebol brasileiro, ou pelo menos inédito: o projeto de marketing. Patrocinados pela Varig (para os custos com as viagens), Rede Globo de Televisão (para venda dos direitos de transmissão), e a Coca-Cola que estampou seu logotipo na camisa de todos os clubes com exceção de Flamengo (Petrobrás), Corinthians (Kalunga) e Palmeiras (Agip), São Paulo (Bic) e Internacional-RS (Aplub), pois estes já tinham patrocínio próprio e deveriam cumprir contrato. Assim, o Clube dos 13 organizou a Copa União, que representaria o Campeonato Brasileiro daquele ano com o apoio da própria CBF.

    Apesar das divergências e a inegável insatisfação histórica dos clubes com a Confederação. A criação da Copa União só surgiu após uma conciliação entre a CBF e o Clube dos 13, já que uma desobediência à entidade poderia provocar reações da FIFA.

    A única exigência da CBF para a realização da Copa União pelo Clube dos 13 era que se incluísse pelo menos mais três clubes de Estados diferentes [2]. Cumprindo a exigência da CBF foram convidados mais três clubes: Coritiba, Santa Cruz e Goiás que na época em suas respectivas regiões tinham melhor desempenho em campeonatos nacionais e também eram os mais populares formando assim um total de 16 participantes.

    Não houve critérios técnicos para a escolha dos outros três participantes e em contrapartida, deixaram de fora o Guarani-SP, e o América-RJ, respectivamente vice-campeão e 4ª colocado do ano anterior, ainda assim a CBF não fez qualquer objeção quanto a isso, pois excluir da disputa da competição do Campeonato Brasileiro os clubes com colocações regulares no campeonato anterior não seria uma prática exclusiva do Clube dos 13. Por diversas vezes, a própria CBF promoveu novamente clubes rebaixados, rebaixou clubes que não tinham caído para a segunda divisão e já havia usado até a melhor média de público como critério de classificação (sempre com o mesmo intuito de beneficiar os grandes clubes). Em outras oportunidades também a CBF não promoveu clubes que venciam a segunda divisão (como no caso do Villa Nova em 1971 não ter ido para a elite do futebol em 1972).

    A idéia da Copa União era de diminuir os prejuízos obtidos nos jogos sem importância contra clubes menores, pois como a CBF havia desistido de organizar o campeonato alegando falta de recursos para arcar com as despesas, então “quem pagaria a conta desses jogos menores seriam os grandes clubes”, por isso, a solução alegada pelos maiores clubes do país foi de selecionar os competidores conforme a tradição e popularidade que esses clubes tinham a nível nacional.

    Em 1986 a CBF não realizou a segunda divisão, os clubes da Série B disputaram o mesmo campeonato com os clubes da Série A. O campeonato nacional de 1986 ficou marcado por ser um dos mais desorganizados de todos, contou com a participação de 80 clubes e ficou meio confuso distinguir quem estava na primeira divisão ou não no ano seguinte. O Conselho Nacional de Desportos e a CBF decidem que os 24 melhores colocados da Copa Brasil de 1986 disputariam a 1ª divisão do ano seguinte. O CND como maior instância esportiva na época, era também a maior autoridade no Futebol, não tinha apenas função normativa, mas disciplinadora e reguladora de todos os esportes. Tinha poderes plenos para fazer intervenções no Campeonato Brasileiro de Futebol, revogar determinações da CBF , contrariar a entidade e decidir questões controversas envolvendo o desporto nacional, conforme o art. 41 da Lei 6.251/75. Em 1986, o CND, desfavorecendo a CBF, deu o ganho dos pontos em favor do Joinville na partida em que seu adversário, o Sergipe, teria disputado com um jogador dopado no empate de 1×1, o que obrigou a CBF a procurar outra solução para o caso, que foi de incluir mais três clubes já eliminados, já que essa resolução deixaria o Vasco fora da competição. Clubes que historicamente tinham um retrospecto regular na competição como Botafogo e Coritiba (campeão nacional de 1985) ficariam de fora dessa lista para o ano seguinte [3], mas se sentido prejudicados com o “inchaço” do campeonato entraram com um processo na Justiça Comum.

    Até 1986 ainda não existia o sistema de rebaixamento, esse critério só foi adotado, na Prática por imposição da FIFA, a partir da Copa União de 1988 (que foi vencida pelo Bahia), o único critério válido para se classificar para o campeonato nacional da primeira divisão, até então, era obtendo as primeiras colocações nos campeonatos estaduais (portanto, era possível que o vice-campeão ou o 4ª colocado não disputasse o campeonato da 1ª divisão no ano seguinte). Critério que a CBF várias vezes descumpriu (como fez com a promoção do Santos no ano de 1983, pois as vagas destinadas aos clubes paulistas eram até a 8ª colocação do Paulistão e o time da Vila ficou em 9ª. O Vasco também não teria atingido o índice em 83, mesmo assim permaneceu na Série A).

    Em 1993, já adotado o novo sistema de rebaixamento, a CBF teria descumprido mais uma vez com uma “virada de mesa” em favor do Grêmio. Em 2000 seria novamente o Clube dos 13 mais uma vez a descumprir o critério técnico recolocando o Fluminense na primeira divisão quando organizou a Copa João Havelange.

    Em 1987, a CBF organizaria três campeonatos que foram nomeados por módulos: “Amarelo”, “Azul” e “Branco”, respectivamente a Segunda, Terceira e Segunda, Quarta divisão para prestigiar seus compromissos políticos com as demais federações nacionais. Nos módulos “Azul” e “Branco” classificariam 12 equipes para a segunda divisão de 1988. Porém, esta edição da Série C não passou a ser reconhecida pela própria CBF como a Terceira Divisão do Brasileirão.

    Quando a CBF decidiu criar o chamado “Módulo Amarelo” (segunda divisão), a Confederação usou como critério a participação dos clubes de menor expressão que se classificaram entre os 28 da Copa Brasil de 1986 que não estavam disputando a Copa União, mas na hora da seleção faltou com o critério quando deixou de incluir a Ponte Preta em favor do Sport e do Vitória que participaram apenas como convidados.

    Quando tudo parecia resolvido, apareceu outro grave problema. A CBF que já estava pressionada politicamente notou o enorme sucesso comercial da competição organizada pelo Clube dos 13 e isso provocou um enorme arrependimento a essa entidade. Quando o campeonato já estava acontecendo, a CBF voltou atrás e quis mudar o regulamento em vigor da Copa União que já estava em disputa. Para isso, a entidade decidiu incluir de alguma forma na competição os 16 clubes do qual ela chamou de “Módulo Amarelo”.

    Para conciliar os interesses da CBF com o Clube dos 13, a Copa União passaria a se chamar “Módulo Verde” e, a princípio, esses clubes do chamado “Módulo Amarelo” que disputavam um campeonato paralelo à Copa União seriam apenas a segunda divisão do Brasileirão daquele ano, porém, no final deveria haver um cruzamento entre os campeões e vices de ambos os campeonatos para decidir quem seriam os dois representantes do Brasil que disputariam a Taça Libertadores da América no ano seguinte [4]. Mas em seguida a CBF muda seu discurso e a partir da quinta rodada deixa de considerar a Copa União como o Brasileirão, passando a considerar também o “Módulo Amarelo” como primeira divisão juntamente com a Copa União (chamada pela CBF de “Módulo Verde”). A mudança do regulamento proposta pela CBF seria de que nesse cruzamento entre os campeões e vices dessas duas divisões também fosse decidido o Campeão Brasileiro de 1987. Porém, não houve o acordo e obviamente isso acabou gerando uma grande polêmica.

    O Eurico Miranda, vice-presidente de futebol do Vasco (na época) teria dado motivo para a confusão assinando em nome da associação um documento que previa o cruzamento proposto pela CBF quando ficou como interlocutor do Clube dos 13, mas representava apenas como delegado, não estava autorizado a tomar uma decisão que contrariasse os interesses da entidade, no entanto, o Clube dos 13 só tomaria conhecimento da notícia via imprensa no dia seguinte. Ainda assim, nunca houvera o entendimento entre as duas partes, o regulamento original foi mantido e o Clube dos 13 com os demais representantes dos clubes em disputa da Copa União jamais reconheceram ou assinaram qualquer documento aceitando a alteração do regulamento que foi proposto pela confederação do qual obrigava o cruzamento entre os participantes dos dois módulos. Tal hipótese sequer foi cogitada.

    O “Módulo Amarelo” era composto pelos seguintes clubes : América-RJ, Atlético-PR, Atlético-GO, Bangu-RJ, Ceará-Ce, Criciúma-SC, CSA-AL, Guarani-SP, Internacional-SP, Joinville-SC, Náutico-PE, Portuguesa-SP, Rio Branco-ES, Sport-PE, Treze-PB e Vitória-BA. Como forma de protesto América decidiu boicotar o campeonato organizado pela CBF, deixando de comparecer aos jogos e perdendo todos por WO, pois estava ciente de que os participantes da Copa União nunca iriam reconhecer o “Módulo Amarelo” como primeira divisão, e por isso, jamais iriam ceder ao cruzamento entre os dois módulos.

    Carlos Miguel Aidar, presidente do São Paulo F. C. e do Clube dos 13 fretou um jatinho particular com dinheiro do próprio bolso para assistir a grande final no Maracanã [[5]], pois os aeroportos estavam em greve naquele dia. Achava que ele como representante maior da entidade não poderia deixar de presenciar o título pessoalmente.

    O Flamengo venceu o Campeonato Brasileiro e conquistou o seu Tetracampeonato derrotando o Internacional por 1×0 no Maracanã, com um gol de Bebeto o Rubro-Negro da Gávea levou a taça. O Inter tinha um grande time com Tafarell e cia, mas o elenco do Flamengo era constituído de Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Edinho, Leonardo, Andrade, Ailton, Zico, Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho. Dos onze titulares apenas o meia Aílton jamais fora convocado para a Seleção Brasileira.

    O Campeonato Brasileiro de 1987, (também intitulado de Copa União) organizado pelo Clube dos 13 foi sucesso de público, recorde de audiência e exemplo de organização. Teve público médio de 20.877 pagantes, o segundo maior da história do campeonato nacional.

    Não por acaso, no mesmo dia acontecia a final do “Módulo Amarelo” organizado pela CBF entre Sport e Guarani-SP que após um empate na prorrogação e outro empate em 11 x 11 nos pênaltis os dirigentes dos dois clubes decidem dividir o título através de um acordo. Ironicamente, o regulamento imposto pela CBF que previa o quadrangular se tornou irrealizável já que não ficou definido quem era o vice-campeão deste módulo.

    Alegando que o regulamento foi alterado à revelia do Clube dos 13, Flamengo e Internacional-RS se recusaram a disputar o cruzamento imposto pela CBF com o apoio do Clube dos 13 e do seu então presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar que também presidia o Clube dos 13 na época. Jogar um quadrangular decisivo não foi uma simples escolha de Flamengo e Internacional, mas o cumprimento de uma determinação do Clube dos 13 e do regulamento da Copa União que fora criado pela mesma entidade. Logo, qualquer dos clubes que chegassem à finalíssima deveriam fazer o mesmo.

    O Internacional que se sagrou vice-campeão poderia se aproveitar da situação disputando outra final só para ter uma nova chance de ser reconhecido como campeão nacional daquele ano pela CBF, porém preferiu manter o acordo que já havia firmado com os demais clubes, reconhecendo o título em favor do Flamengo e demonstrando extremo exemplo de compromisso e dignidade com a entidade da qual fazia parte.

    No ano seguinte, o Conselho Arbitral é convocado e julga o caso em favor do Flamengo. As federações não tinham autonomia para dar a última palavra em questões jurídicas, em 1988 ainda vigorava a Lei 6251/1985 que firmava o CND (Conselho Nacional dos Desportos) como máxima instância esportiva da época (portanto, superior à CBF). O CND (atual STJD) votou em reunião extraordinária através de seu relator Álvaro Melo Filho e sobre a presidência do vascaíno Profº Manoel Tubino (já falecido) com decisão unânime, que o Flamengo era campeão, legitimando assim o Flamengo como campeão do Campeonato Brasileiro de 87.

    Apesar da Justiça Desportiva oficializar o título do Flamengo. A CBF descumpriu o feito desacatando a deliberação do órgão supremo, sobretudo através de seu vice-presidente Nabi Abi Chedid (inimigo político de Márcio Braga na época) e insistiu na imposição da mudança do regulamento anunciando a tabela do tal quadrangular para janeiro de 1988.

    A CBF de forma desonesta e equivocada considerou o Sport como vencedor do campeonato após o Sport derrotar o Guarani em Recife e se tornar vencedor do suposto cruzamento sem vices que ocorreu sem a participação de Flamengo e Internacional, gerando dessa forma uma polêmica que persiste até hoje. Em seguida o Sport leva o caso a Justiça Comum, o Flamengo não dá a menor importância ao processo, pois, todavia (ainda que a diretoria da CBF tenha caído em contradição), tanto a própria CBF quanto a FIFA condenam os clubes que recorrem a Justiça Comum. A FIFA não interfere julgando ou determinando os títulos de qualquer clube de qualquer país que seja, mas ela também não considera que a Justiça Comum seja um órgão competente em julgar causas esportivas e costuma punir os clubes que acionam a ela.

    Apesar do desmando da CBF ao órgão do qual ela era subordinada, o título já havia sido legitimado em última instância esportiva em favor do Flamengo, dessa forma, sendo o Flamengo campeão de fato e de direito do Campeonato Brasileiro de 1987.

    No ano seguinte, a CBF entra em acordo com o Clube dos 13 e retoma a responsabilidade de organizar a competição. O Campeonato Brasileiro novamente viria a ser chamando de Copa União, mantendo assim, o mesmo nome do campeonato que foi realizado pelo Clube dos 13.

    Em 2000, o Clube dos 13 novamente realizaria o Campeonato Brasileiro de Futebol que foi chamado de Copa João Havelange, pois a CBF estava impedida pela Justiça. Ironicamente no mesmo campeonato havia um enunciado da tabela com um cruzamento entre clubes da primeira com a segunda divisão, porém seria uma situação bem contrária daquela que aconteceu em 1987, o cruzamento desta vez não seria imposto, já estava previsto no regulamento e plenamente acordado entre os clubes participantes desde o princípio.

    Questionar o mérito do Clube dos 13 em organizar Campeonato Brasileiro de Futebol ou o mérito do título do Flamengo no ano de 87 seria o mesmo que questionar se existiu Campeonato Brasileiro no ano de 2000 ou ainda afirmar que um clube pode ser Campeão Nacional sem disputar pelo menos uma partida contra um dos principais clubes de futebol do país.

    http://www.flamengo.com.br/flapedia/Campeonato_Brasileiro_1987#Contexto_da_Competi.C3.A7.C3.A3o

    Artigo de Ubiratan Leal (editor do Portal Trivela, Balípodo e da Revista ESPN):

    http://www.trivela.com/Futebol.aspx?secao=45&id=16544

    “Entrevista com João Henrique Areias” (Um dos diretores de marketing encarregado pelo Clube dos 13 de comandar o projeto comercial da Copa União de 87):

    http://www.outrasletras.com.br/imprensa_areias13_leoweb.pdf

    Entrevista com Carlos Miguel Aidar (presidente do São Paulo F.C. e idealizador, fundador e presidente do Clube dos 13 em 1987) no programa “Juca Entrevista” da ESPN:

    Juca Entrevista – Carlos Miguel Aidar – Parte 1

    http://www.youtube.com/watch?v=Jvyau2ziMvU&feature=PlayList&p=32B79EDEE8EAA30A&playnext=1&playnext_from=PL&index=13

    Juca Entrevista – Carlos Miguel Aidar – Parte 2

    http://www.youtube.com/watch?v=obuNvEhz2fY&feature=related

    Juca Entrevista – Carlos Miguel Aidar – Parte 3

    http://www.youtube.com/watch?v=ci-UFkQR1sA&feature=related

    Trecho da entrevista com Profº Manoel Tubino, presidente do CND (órgão de última instância desportiva em 1987) sobre a legitimação do título em favor do Flamengo.

    http://www.youtube.com/watch?v=vG_phvdntcY

    Juca Kfouri explica Copa União 1987:

    http://www.youtube.com/watch#!playnext=1&playnext_from=TL&videos=KXCqHdNuUGk&v=LVuhTLNkmD0

    Foto da taça:

    http://4.bp.blogspot.com/_g6AQC0Yocv4/SyjCXf600qI/AAAAAAAAOC0/Ftnbmih4w6M/s1600-h/RevistaPlacarN916.jpg

  10. @RoggerCosta says:

    eu já tinha certeza do hexacampeonato do Flamengo…como ainda 19 anos e não assisti ao camp. de 87 sempre procurei pesquisar e saber mais parar ver se e o time com a maior torcida do mundo foi ou não o verdadeiro campeão. Porém a cada dia que passa tenho mais e mais certeza de que sim, o Flamengo foi o verdadeiro campeão de 1987.

    Obrigado por essa explicação RicaPerrone.

    Eu nunca tinha encontrado essa informação sobre os penaltis terminados em 11 x 11 isso foi muito importante para mim.

    Muito obrigado sério mesmo =)

  11. nigrosopmac says:

    É o seu recalque fica realmente evidente. Não era ‘a lei do mais forte’ era a ‘lei da oferta e da procura’ do comércio. Sport é pequeno, tem renda minúscula e torcida que só existe em Pernambuco, salvo os pernambucanos que moram fora do estado.

    Enfim, o choro é livre. Mas o Flamengo é Penta desde 1992.

  12. nigrosopmac says:

    Ok, amigão. Se junta ao presidente do Sport e processa a Globo no domingo. Repara bem na tela da sua TV. Nela, se Deus quiser, vai estar em letras garrafais:

    FLAMENGO HEXACAMPEÃO BRASILEIRO 2009

    Aproveita e me processa também.

  13. Clinio says:

    desde quando o sport ganhou no campo? que eu saiba, fez um acordo de comadres quando a partida esava empatada em 11 x 11!!! ganhou no campo meu ovo!!!

    todo mundo viu quem ganhou no campo!!!

    flamengo! penta desde 1992!!!

    SRN!!!